domingo, 25 de junho de 2017

FAUSTA ETERNIDADE SAPIENS



Calma,
não digas que me amas
assim,

toda
e somente minha,
por uma eternidade
sem fim.

Anda mais devagar
e acautelada
com o andor de imagens
que carregas pelo
caminho,

que o tempo
a tudo transforma
em destempo.

Assim,
o ódio, a dor
e o amor

– e tudo
que possas julgar mais sublime
e profundo, até o que te
pareça imutável –

transformam-se,
lentamente. em destroços
e nadas.

Mas,
se o tempo é assim
tão cruelmente
assassino,

eu, de mim,
renego a eternidade
do porvir,

ao mesmo tempo em que,
conscientemente, a aprisiono
aos instantes de tua presença
perante mim,

e que, em ti,
da mesma forma,
me eternizo até que
nos chegue
o fim.