terça-feira, 7 de agosto de 2018

POR QUE ESTAMOS PRESOS A FAIXAS DEMADIADO CARNAIS?

O amor,
como o fogo da paixão,
o sexo eos orgasmos extasiantemente
loucos

são bons,
mas jamais deveriam ser sentidos
como fogos espalhados
entre a multidão!

LEMBRA-TE DE MIM!

Quando eu me partir
para a distante terra escura
e silenciosa,

lembra-te
de mim!

Não poderás mais
afagar-me a cansada fronte,

nem pegar,
para caminharmos minhas
mãos,

nem tão pouco
me amar em nossa simples
mas quente cabana;

mas, quando eu morrer,
não nos sonhe mais em algum hipotético
futuro, nem lamente o que houve
ou deixou de nos haver
no passado:

sim, qquando eu morrer,
apenas me leve na lembrança,
mas sem te esqueceres de que,
se não te amei como
querias,

foi porque não consegui,
foi porque estava imbutido da condição
humana!

Ela me deixou pelo crepúsculo frio da morte, seduzida com a exuberância da ilusão com o sono eterno; eu fiquei só neste mundo cheio de fantasmas, de vazios e de destroços, em dias onde não brilha mais sóis!

Teu lindo e imenso
mar adormeceu, e nunca mais
vais acordar ao amanhecer;

a planície não
teve a mesma sorte,
vive sob dias pálidos e noites
tenebrosas,

a tolerar fantasmas
e a zelar-te, em tristes lembranças,
com moucos cantos
de angústia
e dor!

O ABRAÇO DA MORTE!

Ela me deixou
pelo crepúsculo frio
da morte,

seduzida
com a exuberância da ilusão
com o sono eterno;

eu fiquei só
neste mundo cheio de fantasmas,
de vazios e de destroços,

em dias onde
não brilha mais sóis!

TRÁGICO DESTINO!

… ainda ecoa aos ventos
a fúnebre canção de quando te partiste
à morte, meu amor:

depois de um longo
tempo de chuvoso e abrasador
a amor,

a noite que ficou
é trágica. fria e contém apenas
a solidão e uma inestinguível
dor!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O PREÇO DA NOITE!

Por que me deixaste
sozinho na fria madrugada
escura,

acaso te esqueceste
de nossos voos e de nosso amor,

seguras e te silencias
quanto àquele incontrolável desejos
que sentíamos e dividíamos
como dois sóis
acesos,

ou simplesmente
te cansaste de andar comigo
nas escuridões desérticas de minhas
noites?

NÃO HÁ ISSO DE AMOR ÚNICO!

O amor sempre é eterno,
dois amantes nunca deixam
de se amar

com suas presenças,
com seus sexos,
com seus orgasmos,

com seus sonhos,
com suas fantasias,
com seus fantasmas;

sim, o amor é eterno,
mas não único e a eternidade
vai exatamente, como dizia o poeta,
até durar!

VESTES DE SEDA!

Outrora – com tuas vestes
em seda, luz e âmbar –
elucubraste, aos rastros de meus passos,
as fluentes sombras
de um cão;

enquanto eu nos via
em sonhos, oblações, vesanias
e recorrentes quedas
não decifráveis.

Agora, mesmo que tentes,
não mais podes sequer contemplar
as ominosidades e as angústias
que de mim singram
ao mundo;

enquanto eu
ainda consigo te perceber,
perdida nos mesmos labirintos
– sem espelhos –
de teu avesso e acorrentado
cerne.



O PESO DO MUNDO!

... se dizes amar
e partes ao sossego e à paz
havidos ao chão,

ou se te refugias
aos egos e às hastes
dos tentilhões;

nada mais fazes
que evidenciar tua intrínseca
e covarde condição.

AMADA!

... se dizes amar
e partes ao sossego e à paz
havidos ao chão,

ou se te refugias
aos egos e às hastes
dos tentilhões;

nada mais fazes
que evidenciar tua intrínseca
e covarde condição.

O ERRO FUNDAMENTAL!

Esses sapiens não sabem
nada sobre vida, esperanças
ou sobrevivências:

enquanto a era dinossauros,
com suas fomes sanguinolentas,
durou mais de cento e sessenta
milhões de anos,
tendo sido destruída por exterior
e natural condição;

em menos de duzentos mil,
a tudo dominamos

– e , seria de se pasmar não
fôssemos humanos,
até criamos um grandioso deus
do qual nos fizemos filhos,

e ao qual sempre conclamamos
para justificar carnificinas,
fracassos e esperanças –

e já inventamos,
com nossas abnormais e avassaladoras
senciências egocêntricas,
o extermínio ao toque de alguns
botões.

ESPELHO EMBAÇADO!

Reflita melhor,
perscruta os ares, os jardins
e os mares,

visita os menestréis engravatados,
os heliantos excitados
os tentilhões encantados,

e vive com eles
novos sonhos e estórias
lendárias;

porque, se realmente
nos amássemos como nos dizemos,
querida,

não precisaríamos
de mais nenhum receio ou dúvida,
nem das ominosas chuvas
verborrágicas.

AGOSTO!

Quando uma nuvem
ama, deságua suas águas em deleites
e orgasmos,

e a seca terra,
uma vez mais, tem a chance
de se fecundar em sonhos
fantástiscos;

mas quando uma nuvem
chora, deságua em raios flácidos
seu veneno impiedoso,

fazendo com que amantes,
fantasmas, poemas e até minhas sombras

se morram afogados!

CAINDO!

Caindo de Babel,
depois de quarto anos e ainda
caindo,

já todo quebrado e caindo,
já sem esperanças e caindo,
já semiamortalhado e caindo,

e ela sem perceber
o quanto a amei, cobrando-se
por carnes de açougues que não
frequento:

minha alma se naufragou
sob aquelas rajadas de sombras, de chuvas

e de abandono!

AINDA CAINDO DO SONHO INCAUTO!

Ondulações,
corpo curvilíneo,
lisos contornos flutuantes,

o abrigo ideal
para minhas sombras,
a beldade perfeita para eu depositar
meu amor e meu gozo:

carnívora
de sonhos e de fantasias
que me amou, transou comigo e me mostrou
o espelho lustrado,

traindo-me depois
com a fria morte e deixando-me
completamente

desolado!

SÓ ME SOBROU A SOLIDÃO E O PESADELO!

Adormece sob a terra
a bela Flor de Inverno;

acima,
ando-me eu cansado tentando
me isolar e fugir
de tudo:

nublado, chovo;
ferido, transform-me em solidão
e noite;

caído, aguardo
a ceifa da morte impiedosamente

abrasível!

ENTRE LEMBRANÇAS E SILÊNCIOS!

É melhor evitar
o amanhecer utópico,
o canto desvairado do meio-dia
e da tarde erguida,

porque a luz
parece boa e prazerosa,
mas à noite tudo se transforma
em tristes lembranças

extintas!

A MAIOR PRISÃO É A AMPLA LIBERDADE ABNORMAL

Escolhe,
se não for possível, inventa
e arca com as respectivas
consequências,

parafraseia-se
da obra de Jean Paul Sartre.

Digo mais e indago
a mim mesmo: somos algo jogado
entre as coisas do caminho,

ou nos tornamos
o caminho onde abnormalmente
reorganizamos e reinauguramos a todas
as coisas?



ILUSÃO!

Amanhecia a ouvir
o barulho do tamanco no andar de cima,
andar apressado como se fosses
____ para nunca mais voltar,

a carregar
um corpo alienígena, jovem e belo,
____cabelos cor de sol,

esmaltes
vermelhos, dois peitos
e um par de pernas
____ fascinantes;

lábios gris
a balbuciarem eternas melodias
de amor a meus ouvidos
____ moucos.

E isso durou
a eternidade de alguns dias,
que me permiti com fé sagrada
naquela imagem feita
____ a meus moldes;

até que amanheci,
numa das vezes, de pé ao portão,
em incontida e incauta ação,
como a esperar que ela me aparecesse
como no milagre da fértil
____ imaginação,

e me acordei
daquele sonho sem asas,
ao ver quando descia o corpo cansado
e calejado de uma sapiens
produzida a brilhos de rímeis
____ e a cinzas de chãos!

INEXORÁVEL PATOLOGIA HUMANA!

Reconhecer as ruínas
do mundo,

reconhecer-se
nas ruínas do mundo

e, sem perder tempo,
cumprir a estranha, alucinada
e dura abnormidade

com que,
entre as coisas todas,

fomos jogados!
 

ESPERANDO PELO SONO DA PEDRA!

Falta-me um amor como
aquele que já tive,

falta-me uma loucura
como aquela que já conheci,

falta-me uma luz
que decifre um pouco de minhas sombras,
como ela jé fez um dia,

faltam-me os suores
e os rgasmos que com, com ela, tive
em corpo e alma:

falta-me tudo,
menos a esperança de que me alivie
de toda angústia e de toda dor,

a morte que me espera!

A SILENTE TESTEMUNHA

Dois desiluditos
bebem até a rapa das garrafas
que viram sob
a lua;

dois amantes
se fundem, de fodem e se juram
eternidades sob  a lua;

marido e esposa,
cada um em seu canto, esfolam-se
com escondidamente com algum pardal
ou com alguma siririca
sob a lua:

a lua dos poetas,
a lua dos loucos,
a lua dos amantes,

a lua dos pecadores,
a lua dos pescadores de ilusões
inúteis.

Eu também,
em minhas solitárias noites,
contemplo a lua, que gentilmente
também se acasala e ama

meus nus vazios!

VAZIO!

… não estás mais aqui
quanto a noite terrivelmente
esfria,

e as esperanças se acabam,
e os sonhos se morreram descompassados,
e eu me naufraguei na madrugada:

talves az coisas
houvessem sido diferentes, se não tivéssemos
nos conhecido e se tu não
tivesses eternamente
partido,

mas só me sobou a solidão
do agora, em que angustiadamente
espero que se conclua minha jornada final

à pútrida morte!

quinta-feira, 26 de julho de 2018

TALVEZ O VENENO TENHA SIDO DEMASIADO!

Às vezes,
ferve meu sangue ainda
em convulsa raiva,

aguça meu coração
e se me apodera uma grande vontade
de fugir, sem deixar rastros
ou fumaça,

imponho-me
o silêncio, para não confundir
os anjos que ainda sonham neste mundo
sem graça:

mas, daquela
víbora indecifrável e indescritiva,
o que mais se firmou em mim
foi mesmo uma saudade
tal

que me deixou
mais parecido com algo qualquer
que, todos os dias, já amanhece
morto!

TRISTE FIM DE UM SONHO IMPOSSÍVEL!

Tu querias tudo certo,
como se eu fosse um anjo
e não um homem,

tu querias
todos os pontos nos is,
em mim a nobreza de um rei
e a sublimidade de um anjo;

tu querias,
e tu te tornaste escrava
do que tanto querias, transformando-me
em um mito que nunca fui:

assim foi que
morremos lentamente, com o veneno
que nos enfraquecia
aos poucos!

ELA DORME, E EU NÃO ME SINTO BEM!

Eu me transformei
na própria noite,

num fracassado
pescador de ilusões perdidas,

sem seu mar,
num deserto de miragens
secas,

num triste arremedo
de poeta

que por aqui
vaga, já morto!

O FIM!

Agora que tudo realmente
terminou,

não nos culpemos
um ao outro por nada mais;

porque, independentemente
do que nos fizemos,

cada um é inalienavelmente
responsável

somente pelo que de si
permitiu sair

em luzes, sombras
ou chuvas verborrágicas;

e isto já basta, com sobras,
para nossas mortes
de asas.


SEVEROS JUGOS

Já fui elucubrado,
julgado e condenado de modo prolixo
tantas vezes que perdi
a conta,

e em todas
houve algum tipo de reação,
mesmo que silente, de meu indecifrável,
escudeados e senciente
ego.

Mas quando fui elucubrado,
julgado e condenado por mim mesmo,
diante de um fiel
espelho,

senti-me um nada
cósmico, um menos que pedra ao chão,
um menos que poeira
ao deserto;

em cruciante dor
de me perceber a abnormal condição
para cometer vastas
violações

e para promover
o suicídio das coisas, das casualidades
e até das demais sencíências
– alheios –,

com minhas clarezas
abstratas, espúrias e ilusórias
(re) inaugurações.

AS IMAGENS SÃO UMA INCONTESTE PROVA DE NOSSA ABNOMALIA!

Queria poder
conseguir ignorar as avalanches de imagens,
advindas de caminhares incautos
e estúpidos;

e encontrar algum
lugar incomum, onde pudesse
descansar minhas laivas sombras, meus sortilégios
côncavos, minhas porras
leiteiras

e meus hábitos de,
a tudo isso, colocar sob incomensuráveis
e esplêndidas máscaras, tingidas
de faustos brilhos e verdades
dissimuladas.

O CANTO DO ROUXINOL!

Tu nunca estarás pronta
para ouvir o canto de um verdadeiro
rouxinol às outonais
manhãs,

sem lhe calinizar
os fulcros, as asas e as garras
com tuas sublimes fluorescências
neon!