terça-feira, 31 de outubro de 2017

A GRANDE FAMÍLIA HUMANA


O pai ora:
“Senhor, livra-nos
do mal!”

A mãe ora:
“Senhor, livra-nos
do mal!”

As irmãs oram:
“Senhor, livra-nos
do mal!”

Os demais parentes,
os amigos e os conhecidos oram:
“Senhor, livra-nos
do mal!”.

O mundo
inteiro, enfim, ora:
“Senhor, livra-nos
do mal!”.

Mas ele (o mal),
por absoluta imanência, só existe
no obscuro e indecifrável
fulcro do sapiens;

e jamais,
apesar de todas as orações,
saiu ou sairá
de lá.

How will all this obscure
abnormity end, sir?

VIVA DENTRO DE MIM!



… não mais vês,
não mais respiras,
não mais enfeitas os jardins
com tua pálida beleza,

não mais te maqueias,
não mais conquistas anjos, heróis,
mosqueteiros e punheteiros,

não mais falas
de amor, ou de desejo, ou de carinho,
ou de teu Deus tão bom
e supremo.

Dizem que
tu morreste, eu não digo,
eu afirmo que tu, apesar da infinita
e negra distância,
não morreste!
Who else can see your face now,
other than me, my love?

QUE TIRO ERRADO!



… bela,
muito bela, belíssima,

ali de perto,
como que se estivesse em uma varanda
florida observava o cão a escrever
suas sombras:

“Nossa,
você escreve muito bem”, ela disse
com aquele jeitinho de anjo, com aquela
minissaia insinuante,
e prosseguiu:

“Você escreveria
um poema para mim?

Uma semana depois
já tinha feito mais de vinte  poemas
para aquela beldade tão angelicalmente
linda e tão gostosamente
mulher;

e então ela disse:
“Nossa um desses foi o que eu pedi?”
E eu, honestamente dissimulado, respondi
“Todos, minha princesa!,

Quando, de repente,
senti o céu caiu ao ouvi-la dizer:
“Que lindos, vou mostrar para o meu
marido!”

A giant does not fall,

plunges into the deep abyss!

SOLIDÃO



… único porto seguro,
onde o combate se dá apenas aos
fantasmas ali  outrora
plantados,

sem amores presentes,
sem odors presentes,
sem dores presentes;

e mesmo os fantasmas
passados e os novos que ousarem adentras,
servem apenas para a fabricação
de arte com as dores
do parto!

Our origins
were the same, my love,

as well as our decided
and eternal end
after this life!


Thore Menkent

AMEI COMO PUDE



… correste
tão apressada ao cemitério
que pareceia eu ter me tornado
seu maior carrasco,

e o que eu
unicamente procurava era um laço
adequado, destes que te proibissem de cometer
tráficos de esplêndidas imagens,

destes que
não te permitissem sonhar além
de nossas margens, nem foder além de nossa
cama.

Mas tu chamavas
de prisão o que eu via como infinita
liberdade,

e tu me chamavas de monstro,
enquanto eu queria apenas te amar
e sexuslmente te possuir por todos os possíveis
lados,

e tu ainda
me pedias para curar o amor
que dizias sentir por mim, e, eu, tambem
completamente apaixonado,

só queria
tanto mais do viço amoroso e  desejoso,
mas mortal, envenenar!


She was not a woman. She was an angel imprisoned in a woman's body!

NADA RESTOU!



… onde foi parar
o baton que usavas em nosso
último encontro,

o perfume
que passaste naauela úlitma noite
em que até as estrerlas pegaram
fogo;

onde foi parar
os gemidinhos de prazer e as juras
de amor daquela linda e ensolarada
noite,

a sempiternidade
presente em justa à posteirioridade
que nos viria à frente;

onde foste para
tu, agora quer me rendi inteiro
e absurdo?

O que foste
tu fazer tão cedo deste outro
lado escuro do muro?

Por que
não pudemos, antes de que tudo
isso ruísse abismo abaixo,

corrigir-nos
dos trágicos erros que cometíamos
enquanto, vivos ambos, em corpo e alma
ainda noa amávamos?


NÃO HÁ PIEDADE NOS MEUS VERSOS. HÁ A ESCURA SINCERIDADE!



… já estou aqui
morrendo neste deserto seco,
neste espaço escuro,

nisso
a que muitos chamam de jardim
dos poemas e dos versos; outros de lugar
dos sonhadores e dos trovadores;

outros ainda
de uma varanda para conquistar,
para amar ou para achar algum companheiro
para, com uma web can ligada,
fazer amor trepar,

há unas 10 anos!

E cá estou eu
neste mesmo meio em que Lilith andou
e atuou, em que os anjos andam
e atuam,

e eusangro,
e ao sangras os esponhos em meus
fiéis e abissais espelhos!



There is no encashment here,
no dream, no alchemy possible.

I will consider,
as the only exception,
the flower of the desert!

Thor Menkent

NOTURNO



A noite
e suas silentes vagas,
e seus intransitivos escuros,
e seus incompreensíveis
segredos;

mas tão sublimemente
alheia a noite

 – e assim tão inocente –,

que não nos
resistimos a estuprá-la iluminá-la
com nossas sencientes

refulgências.

A ESTRADA É HORIZONTAL



Sou uma testemunha
– ainda viva –

do horizontalismo da estrada,
da dura pedra alongada
e da concavidade laiva do cerne
da humanidade;

incautamente mascarados
a transitivos sonhos erectados,
a harmônicos céus povoados
e a eternos paraísos
concretados.

O DESEJO VENCE A LUZ!



... não gostam
de enxergar a verdade
esses anjos bastardos, mas já quase
___ não há a sublime luz,

assassinaram-na
com a senciência racional
___ e emocional,

para
se embebedares das gostosas
labaretas dos desejos
___ e das carnes,

mesmo que
seja em secretas punhetas
em um escondido
___ quarto!

EXTÁTICOS ABRIGOS



... às gavetas do fundo,
aos escondidos quartos de despejo,
aos motéis e aos matéis
___ do mundo,

e nas web cans
e chats do virtualismo
___ insano;

as jóias
de família não são postas,
senão de modo
___ sublime;

nestes lugares
o que são colocados
são bravatas, ilusões fantasias promíscuas
e gosadas com pseudossabor
___ idílico!

SOBREVIVÊNCIA



Em pequeno,
eu sonhava muitas coisas,
por exemplo: uma casa,
___ um automóvel,

um poder de ser
e de fazer, uma fé inabalável,
uma pura – e só minha –
___ amada,

___ bonita,
___gostosa,
___ de calcinha enfiada;

hoje, eu sobrevivo
___ na estrada.

EU QUERO O NÃO-SER, MAS NÃO CONSIGO



Não queria
ser assim tão racional,
e não sei mais o que fazer
___ contra isso;

eu não queria
saber que dois mais dois são quatro,
que há um coração batendo
___ em meu peito,

que a luz confina
a visão de nossas retinas cegas,
que o amanhã me pode (não)
___ ser conforme planejo;

eu só queria
não ter conhecido nada
sobre o fausto e espúrio caminho,
percorrido pelas senciênciasem movimento
___ dos sapiens.

E, ENTÃO, NADA MAIS HAVERÁ



O apagamento
se aproxima, cada vez mais,
rumo à desembocadura
___ do que não há;

e os pensamentos,
e as lembranças dos abstratos passados
vão se esvaindo, esvaindo-se
___ e se apagando,

como a ilha
que vai se sumindo a cada passo
dado, em sentido a ela
___ contrário.

OPOSTOS



Por que tu não
me podes

ser de outro
modo,

amo-te tanto,
e mesmo assim:

anatomicamente
bela,

e com teu afiadíssimo
verbum volátil.

LUZES E DEJETOS



Das ânsias
e vômitos e fezes que despejamos
em nosso malcuidado
leito,

restam-nos,
tão somente,
só dois caminhos
a seguir:

reconstruirmos,
de nossos pedaços quebrados,
a esse grande amor
juntos,

ou nos conformarmos,
enfim, com um doloroso
e definitivo
adeus.

INFINDA E EXTREMA CONDENAÇÃO



“Estamos condenados
à liberdade”, dizia Jean Paul
Sartre;

Ao que até não
divirjo, se me localizar
e sua pequena órbita
de visão;

não obstante,
devo dizer que tanto
a regozijada liberdade
como a temerosa
escravidão,

como tudo o mais,
é que estão realmente acorrentadas
à nossa abnormal
condição.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LIBERTAT


Quem
dentre nós pode
realmente falar em
___ liberdade,

de dentro
da maior de todas
as prisões que
___ habitamos:

nossos próprios
___ egos?

Angel
abusing night flights
ends up landing on hollowed
out stick!

Thor Menkent

DEPOIS DOS TORPES ENGANOS



E tu,
agora mais que antes,
silente cantas tua inefável
pureza,

não a mesma que,
à nossa época de caminhamentos
juntos, tanto com a boca
pronunciaste

com as asas
inválidas, que julgavas poderosas,
por tanta parte pairaste
hasteadas

e com as pernas
abertas em leitos brancos de plásticos
dos canários poéticos e dos menestréis
artificializados com que tanto extaticamente
dançaste (e trepaste).

Mas agora,
sim agora, somente agora,
a verdadeira pureza porque a nada mais
reinauguras ou cobres com teu olhar
negro e em glórias

e que nada
mais te cobre, além da terra seca,
em tua cova,

eu posso ouvir
melhor o mouco som, puro, puro, puríssimo,
que ecoa de tua alma
que chora!



DESCULPA, MAS EU NÃO SEI AMAR!



... chove,
a estiada pode até demorar,
mas sempre chove;

como chovou
eu, mesmo que haja regular estio,
no amor, mas sempre, em algum momento
morro eu,

com a diferença
de aquelas chuvas, as naturais,
trazem vida e conforto,

enquanto,
quando chovo, prevalesce a noite
e a morte vem chegando
aos poucos!

SENSUAL ENCANTO



Há um corpo na cama
com sua geometria mágica
e sua ilha perfumada protegida
entre as pernas:

às entranhas dímeras,
a indecifrável e esplêndida leveza
dos mares, dos céus
e dos sonhos

a coabiarem
em grande paradoxo,
com os naufrágios, as quedas
e as vesanias do cerne.

Há-lhe, sem dúvidas,
indícios de fluorescências pueris
e de sombras soturnas
– de vida e de morte no mesmo
cálice –;

há-me a irresistível vontade
de beber-lhe tudo.

QUANDO CHEGAR O FIM



Não, querida,
não agora neste momento
em que os bailes a fantasias
estão à toda,

mas quando estiveres velha,
corcunda e lenta

– sem que os extáticos desejos
e as esplêndidas imagens do caminho
te enganem as retinas –,

olha para trás
e sussurra um nome ao vento,
para que ele leve os ecos
de tua voz cansada,

ao túmulo
daquele a quem,
indubitavelmente,
tenhas amado em tua vida
passarinha.

NOSSOS CONSEQUENTES ERROS



Por que
não te calas um pouco,
sem desviares tanto o olhar
aos espetáculos
alheios?

Afinal,
não sabes tu que,
entre rituais de luzes
e sombras

– regozijados
aos teatros mambembes
ou aos lugares comuns
do caminho –;

às vezes,
é um trágico erro
interromper o sublime silêncio
com a volatilidade
da palavra?

QUEM SÃO OS ANJOS?



... são seres,que se vestem de branco,
para falarem mal

________ dos cães,
________ dos vermes,
________ e dos putos;

escondendo,
com asas dissimuladas e palavras voláteis,
as próprias e promíscuas
perversões!

VOAR



Não se nasce
com nada já aprendido,
ainda mais voar,

________ quem quiser
________ voar tem de, primeiro, aprender
________ a engatinhar, a andar
________ e a viver no chão,

caso contrário,
afirmo que todo voo não passará
de uma paixão ou de uma loucura
temporárias,

________ condenadas
________ que, por incapaz nascença,
________ estão!

O PRINCIPAL MOTIVO DAS PERDAS



... discutir
quando se desconfia de alguém
ou quando os nervos estão
à flor da pele é

________ burrice,
________ negligência,
________ sadomazoquismo,

vestidos
de branquíssimas palavras
e máscaras,

como
de de tudo tivesse a razão,
a mesma razão que sempre falha
no momento do ódio!

CHOREI E CHORO


O VIRTUAL É SEMPRE UM PERTO DISTANTE



Sonhos de amor,
ilusões com jardins cheios de flores,
esperança de lealdade
e de conforto,

sexo virtual
entre dedos nas genitálias
e palavras excitadamente voláteis
percorrendo a mente
privada,

amizade,
namoro,
casamento,

uniões eternas,
uma seguida da outra, sem se atentarem
que uma assassina imediatamente
a outra;

tudo como anjos,
tudo sem problemas,
tudo demasiado lume,

até que
comece a chover chuvas de ciúmes,
de desconfianças e de fantasmas que se
nos vão crescendo à mente
insane,

e, com elas (as chuvas)
o que se chamava de amor transforma-se
em silêncio, em separação e em rancor
com lágrimas de dor.


In virtual love,
my dear,

the end
result is always pain!

Thor Menkent

QUANDO NÃO SE PODE AJUDAR, É MELHOR SE CALAR



… quando disfarçamos,
inconscientemente nossas próprias
sombras em onirias e desejos
___ coloridos,

ou quando
as projetamos aos cães
emperdenidos, só para ficarmos
um pouco mais com a parte
___ lume da coisa,

de nada
nos servirá ter vivido
e nada poderá justificar uma últil
permanência nossa nesta
___ ponte,

em que todos
de uma ou de outra coisa precisam,
enquanto ela balança sempre de modo
___ incerto e covulsivo!

O SER É A ABERRAÇÃO UNIVERSAL



Em certas horas,
à merda com essa tal senciente
razão do sapiens:

ela é tudo
que não pode justificar
as guerras, as mortandades,
as fomes, as opressões
e os estupros às virgindades
das coisas naturais.

Querem saber?

Hoje vi uma criança à rua,
imunda e com a roupa rasgada;
e o pior, com a alma
arregaçada,

a mendigar um pouco
de comida.

Sem mais adelongas,
que há muito tempo estou puto com isso,
vocês querem mesmo saber
de uma coisa?

À puta que pariu
os menestréis e intelectuais de terno,
os políticos da figa,
e todo tipo de tentilhão
soberbo ,

que tomam vinhos importados,
comem suas putas e puristas de mesma laia,
regadas a granas e a prazeres
concupiscentes,

e depois vão se escorrer
defecando merdas
com seus verbos voláteis
por aí:

exatamente,
e muito bem claro fica dito:
à puta que vos pariu,
isso sim!

IMAGINAÇÃO, ARTE E MOVIMENTO



A poesia em movimento,
essa sedutora e assanhada estranheza
– inspirada em com suas estórias
de amor e dor –,

insiste em me amar,
às frias e silentes madrugadas,
e sob os umbrais vazios
do niilista:

que triste traição
aos verdadeiros poetas,
que cruciante ferida a sangrar-lhes
os egos e as soberbias,

quando leem
– aos mal traçados versos
nessas secas folhas
sombrias –

os estupros de todo dia
à sua formosa, inspiradora
e preferida musa.

O QUE VEMOS NÃO É REAL



Somente agora,
depois de tantos anos
e enganos,

posso dizer
realmente que nada sei
e que não existe
o que vejo:

apenas me invento
de meu abnormal advento:
o espúrio, vão e passageiro
momento.

ESTREMA SEDUÇÃO



... resisti a quase
de tudo nesta vida miserável,

resisti a ameaças
solenes,

resisti à partida
de beldades que diziam que me amariam
eternamente,

resisti
às soberbias dos menestréis de lustres
e dos anjos vestidos de cânticos
e de cores;

resisti
a muitos cânceres que se tesaram
em minha humana
carne,

resisti
aos sóis dos meios dias que teimaram
em ofuscar e cegar minha
visão;

sim, resisti
a muita coisa nesta vã e vil vida,
mas, às vezes, pergunto-me até quando
resistirei

a esta última
fria, silente, charmosa e escura
noite eterna?

AVANÇO SAPIENS


domingo, 29 de outubro de 2017

O VÍCIO DA POESIA



… eu já estou aí,
e vou ficar  para quando quiseres
ler algum pedaço de minha
pequena alma!

Thor Menkent

É possível
deixar o vício de escrever
poesias e de delirar aos céus
e aos vazios?

Eu diria
que sim, se trocado por outro vício,
como, por exemplo, o vício pela fantasia,
pela ilusão e peloo sexo;

sabendo-se,
entrentanto, que se aquele vício
(o da composição artística) se faz
com dores de parto;

estes,
depois de um tempo demasiado se iludindo,
transando, punhetando-se
e gozando,

costumam deixar
um vazio tão grande que nada mais

lhe possa ser plantado.

AINDA HUMANO, MAS RESTRITO!



… enquanto
teu nome puder ser ecoado
___ por mim,

não haverá
nenhum espaço se que nele
___ estejas presente,

não haverá
nenhum silêncio ao qual
eu não rasgue com as lembranças de teus brilhos
___ e de teus suaves ventos,

não haverá
nenhum céu sem a semântica poética
que exalava de tua alma
___ e de teu verbo

e não haverá
nenhum leito em que sejas subjugada
com corpos sensuais e com línguas
___ de fogo! 

SECRET LOVE




Em algum ponto
será inaugurado um céu,

e ele será demonstrado
em poesias,

e ninguém saberá
que pássaros o povoaram,

em amor,
em desejo e em sublimes sentimentos
implantandos à alada mente
do poeta niilista,

pois será,
por escolha tua, sem que nada
se perca, um eterno
segredo!

LIS



Ana Liss,
quantas vezes disseste ser eu
insentimentalmente frio, insensato
e incapaz de um puro
___ amar;

e quantas vezes
eu te disse, meu amor morto,
que, numa relação entre um homem
___ e uma mulher,

quando se amam,
e se vivem juntos, e frequentam juntos
os espetáculos da vida, e transam
___ juntos,

por fraqueza
nossa e por força de vós,
tudo que tem peitos
___ e boceta

causa
tanto de encantamento, como
de êxtase e de estragos ao firme plainar
___ de nosso vento!

AMÁVAMOS MAIS QUE SUPUSEMOS, POR ISSO NOSSO ERROS NOS LEVOU AO TARDE E AO TRÁGICO DEMAIS, ANA!



... “Sou sua,
sempre fui sua, só sua
e serei eternamente só sua,
acredita em mim amor?”

dizia ela
como em uma oração repetitive
e convicta, enquanto guardava mentes,
corpos e paus escondidos
na bolsa.

“Sim, meu amor,
e eu sou teu, só teu, sempre fui
e serei somente teu, acreditas
em mim?”,

respondia eu
a ela, com as gavetas do quarto
dos fundos de imagens de todo tipo
trancadas e cheias.

E assim
nos amamos cegando-nos por
tolas e ilusórias escolhas, como dois fantoches
e nada mais que dois fantoches
tolos,

que diziam
um ao outro quando perguntados
sobre o que havia na bolsa e nas gavetas
trancadas do quarto dos fundos,

e ambos respondiam-se
a mesma coisa: é segredo!

A PASSAGEM LEVA TANTO AO SONHO COMO AO TOMBO!



… em algum lugar,
do outro lado de meu computador,
há dedos a digitarem algo de uma mente
que às vezes está
___ a me pensar,

outras
a me olhar, outras a me refletir ,
outras a comigo em uma transa imaginar,
___ outras ainda a me amarem;

e, às vezes,
eu até ouço o som das teclas
ao compor um poema de amor,
de prazer, de angústia
___ ou de dor;

e é como se
eu me ouvisse e me sentisse também
ali com a pessoa que comanda aqueles
___ dedos,

pensando,
poetisando, sofrendo, voando,
tropeçando, delirando, gozando
___ e chorando!

É O QUE ME SOBROU NESTA VIDA



... minhas poesias
são dias sem sóis, com chuvas
ventanias e vesanias
corredeiras;

minhas poesias
são noites sem estrelas, com seus
entre-espaços vazios
e negros;

minhas poesias
são o oposto do azul do céu, da vastidão do mar
e do esplêndido e sublime
sonho lunar;

minhas poesias
são reflexos fragmentados
– geralmente não assumidos à luz
que toca os espelhos –,

que se me emanam
quando estou sozinho e desnudado,
tentando (em vão)
me lavar.

NÃO É FÁCIL E NÃO É INDOLOR COMO PENSAIS!



… para saborear
corpos com seus peitos, coxas, bundas
e xanas basta ter um pau e gostar
___ da feminina fruta;

para saborear
luzes e ofertá-las as outros,
basta liberar o poder da palavra volátil
___ e liberá-la a todos os ares;

mas, meus caros,
para se manter nas sombras
e para saborear os abismos é preciso
___ extrema ousadia

e coragem
para andar, solitariamente,
como um morto-vivo nas frias
___ madrugadas!

SINTO MUITO, EU APENAS AINDA ESTOU VIVO; E, VIVO, SOU HUMANO!



… como me dizer
a ti, com franqueza
sem cometer um ineitável
suicídio de asas?

Bem,
se eu entrasse em ti,
entraria como um anjo a te adular,
como um herói a te proteger,

como um amigo
a te agraçar e como um amante
a, de todas as formas, tentar
te agradar,

assim como
também entraria, por ser demasiado
humano, em tua morada
carnal,

com excitação
e tesão de um demônio tarado
que, paradoxalmente ao anjo que te é,
também quer te comer inteira
como à tua alma!

VIVEMOS COMO IRMÃOS NUM TRAPÉZIO A SE BALANÇAR EM RITMOS IMPREVISTOS



Semeamos muitas imagens todos os dias e por todas as vias por onde andamos na vida. imagens sublimes, exuberantes, sedutoras,, às vezes luzidias,às vezes escuras, às vezes quentes, às vezes frias,

Neste contexto, como niilista eu me declare ser um complete alienado e inútil ao mundo, pois, com incompetência maltrato a luz e elogio a escuridão, sendo que ambas há no que chamamos humanos.

Ao caminho,já vi amores ditos e perjuradamente infinitos extingos pelo caminho, já vi mestres e conselheiros tropeçando nos próprios erros que apontam nos outros com seus dedos, já vi os que vivem e moração e como se fossem anjos tendo extremos êxtases com orgamos em masturbações ou em seus leitos, e de tudo já vi em seus paradoxos inevitáveis, de modo que por esta visão que tenho do mundo fui e de mim em combate a mesmo, tornou-me um desnecessário e mediocre parasita,

E não há algum segredo ou formula mágica que me dê concerto, pois em toda parte já a procurei e nada achei mais que novas emoções, novas vibrações, novos amores e novas vertigens, com suas subsequentes e inevitáveis tropeços e quedas, sempre na fronteira entre a vida e a morte de um relacionamento ou de algum novo relacionamento, seja com que tipo de emoção nele for envolvida.

Não verdade, estou muito longe até de um outro verme produzido por outro parasita: Zaratusra, poise ele, pelo menos, conseguiu conduzir alguns mosqueteiros, alguns canários e algumas andorinhas a seu falso reino..

Mas a verdade de minha pequenez é que eu não sou nada, e eu não vejo o ser como algo que não uma verdadeira abnormidade, um insulto à vingindade natural das coisas que dele não ssabem, nem sabem do que ele planta pensando ser luz, mas que não passa de alguma coisa qualquer, reinaugurada, num cu infinito a que chamam vida e capacidade humana.

Pondero no que me pedes, sendo eu tão insignificantes e penso que podierias tu , como qualquer humano, e eu próprio, rasgarmos o chão em que piso e,ainda assim, tudo de mim, de ti e de todos seria, por inalienável condição que nos é, demasiado humano que entendo não precisar haver perdão do irmão,mas sim entendimento de nossa semelhante condição e de que fomos jogados em meio a coisas e que, com elas, estamos numa ponte que se balança o tempo todo, tendo de fazermos escolhas e nos equilibrarmos, como bem disse Jean Paul, o tempo todo, o que não nos é nada fácil, embora pareça bom o sabor do que chamam vida.

E pela mesma condição tratei-te bem algumas vezes e mal em outras vezes, assim como bem tratrei alguns irmãos e, em outras vezes, bem desajeitadamente ou com a má fé imperativa do verbo.

O perdão que pedes seja, pois, como o amor, o riso, a brincadeira, o afago, a soberbia, a queda, o rancor, a dor, as lágrimas; enfim, como tudo que seja humano ou, por outra, mútuo.

Certamente, se se deve haver algum perdão de minha parta, estás perdoada e, qualquer que seja a coisa que acontecer,tens de entender que nunca guardo mágoas, porque guardar mágoas do semelhante é o mesmo que guardar mágoas da mesma condição a que pertenço.Uma de minhas escolhas como niiilista, portanto, é tão somente a de ser demasiado humano em todas as condições possíveis,incluindo o amor e o perdão, embora, às vezes, eu pareça navegar somente em sombras!