segunda-feira, 12 de agosto de 2019

ALTA TENSÃO!


Desde fim de semana passada,
dias difíceis,

e contra dias
difíceis, desses dificílimos
que vez em quando nos ocorrem,

costumamos
buscar algum refúgio, algum alívio,
algum porto mais seguro,

seja na ilusão
do amor, seja no desejo ou em sua tentativa
quando tudo parece desabar,

seja viajando,
seja como for, mas há dias
tão severos e difíceis

que somente
uma flor do deserto, consegue
em algo nos aliviar!

SEGUE O FRONTE!


... mas, próximo
à morte, ainda sou trapézio

e me balanço,
e me oferto a ti, amando-te

e me acendendo
quando dá.

domingo, 11 de agosto de 2019

MEU CÁLICE


Ó flor de inverno,
sensual e bela como a frágil
brancura da neve,


se és assim
tão candidamente verdadeira e singela
como me tens dito;

não te preocupes
com os funambulismos dos pássaros
e da bicharada das demais
estações,

tenho tantas máscaras
que, quando precisares para subires
aos palcos da vida ou aos paus
dos tentilhões azuis,

posso te emprestar
algumas.

TENEBROSO PASSADO


A boca que outrora
me confortou e disse me amar
choveu-me chuvas
de fogo;

a mão que outrora
me afagou o rosto e o corpo,
regeu-me orquestras
de pedras;

e eu a produzir,
o tempo todo, as sombras
que lhe infiltravam o avesso ego
em queda,

em ominosos e recíprocos
sonhos, fantasias e insânias de nós dois,
que morremos humanos,
tentando nos amar como mitos,
lendas e deuses.

INÓSPITO AMOR


Como o vento
que cavalga o tempo,
fluímo-nos nesse amor
inóspito;

entre juras
de amor incondicional,
satisfação de desejos secretos
e uma inexorável vontade

de nos chovermos,
de nos julgarmos e de nos amaldiçoarmos
com as malditas possessividades
de nossos egos.

QUANDO SE MORRE DE AMOR


… ela dizia
que estava morrendo por me amar
tanto,

e eu percebi que,
diante de tanta loucura, eu tinha
de abandoná-la para sobreviver, pois
ser-me-ia fatal essa luta
solitária:

entre traições
e chuvas de ogo que promovemos
para tentarmos provocar nossas metafóridas
mortes e aliviar nossas insanas
dores,

perdemos
partes nossas, ou nos perdemos
todo em outros cantos, em obscuros recantos
e em leitos brancos:

depois de sua eterna
partida deste mundo, em real morte,
não sobrou praticamente nada
daquele grande e mal cuidado
amor de outrora!

RESTOS DE UMA LUZ DO INVERNO!


Como eram agitadas
nossas idas noites, com nossa
recíproca insônia
amante,

que saudade
daquelas auroras quando
me acordava te vendo
ao meu lado,

que sonho,
que incense, que orgasmos
tínhamos sob aqueles céus
descosturados:

que triste,
que absurdamentemente triste,
é constatar que nem tua eternal
ausência aliviou um pouco
minha dor e saudade!

HAVERÁ NADA!


Ao reino
eterno, ao reino dos céus,
como assim o dizem,

esperam-nos
os anjos, a nós, ainda prostitutos
da palavra volátil,

ainda escravos
dos desejos e das vaidades
e orgias fantásticas;

a nós, cães,
lobos e demais vagabundos
que pensamos saber
de tudo.

E conosco
vão nossas mentiras, nossas infâmias,
nossos rabos sujos, nossos segredos
absurdos,

esperando pelo
perdão de um pai, que criamos
só para lhe impor o atendimento
de nossos anseios absurdos,

de nossos pedidos
impossíveis e nossos medos
cinza-escuros!

METADES DE MIM!


De mim,
saem-me metades tingidas,
outros de mim
mentidos

em caminhos
aquarelados pela boca ou extruídos
em fantasiosas ilusões
ou vesanias.

De mim,
tão somente de mim:
inalienável e inexorável fonte
de tudo (e do todo)

– amor e ódio,
esperança e descrença,
o bem e o mal –

até que
o apagamento reclame
a finda demência,
amém!

MEU BEM-QUERER!


Bem que queria
proteger-te depois que machucaste as frágeis
asas por quase todas as paragens
por onde voaste incauta;

mas ainda não sei como,
se a cada palavra ou silêncio meu,
parece sofrer-te
ainda mais

com a mente traumatizada,
com as feridas mal cicatrizadas,
com o coração cansado e com a alma
desesperançada.

EM ÓRBITA INCERTA!


... em órbita incerta,
tentamos nos firmar com a razão, com o poder
e com a esplêndida e ilusória sublimidade
dos anjos,

enquanto cavamos,
cada vez mais, grandes e escuros precipícios,
onde costumamos
copular

[às escondidas]
com aquiescidos, famintos e perdidos
demônios de todos
os tipos

O TEMPO DE AGORA


O tempo agora
e de abandonar o incauto caminhar
entre imagens de flores
perfumadas

de congelar os vôos
com alvas passarinhas onirizadas,
e de trancar ao cerne as insânias
outrora estravazadas;

O tempo agora
é de manter a ausência da nuvem,
evitando novas chuvas
e vendavais;

deixar os exíguos sonhos
naufragados
e não ousar ser mais
que nada.

OS SONHOS SE TORNARAM VÃOS!


Tudo parece congelado
em um cada vez mais rígido,
em um cada vez noite,
em um cada vez mais
alagado.

Tudo parece perdido,
com os sonhos todos naufragados,
com as esperanças todas acabadas,
com as terras todas
arrasadas.

E eu não sei mais
nem onde andam as putas inflamadas
para uma orgia
enlatada;

e eu não sei mais
nem onde andam os anjos e as puristas
com suas crenças e certezas
penduradas.

E eu me sinto assim,
cada vez mais longe do sol,
cada vez mais longe
de alguma luz
qualquer;

e eu grito
em febril delírio,
e ninguém ouve porque
eu grito silente nessa ruína,

como o último suspiro
de um condenado.

CHUVA INCESSANTE!


E as chuvas
continuam: chuvas,
sangues e dores.

E este cão condenado
sequer pode
pegar o próximo trem
da manhã,

nem colher
a próxima flor a nascer,

nem fabricar
o próximo sonho
a morrer!

É DIFÍCIL SOBREVIVER!


É difícil sobreviver
neste mundo lotado de imagens
que nos levam a lugar
algum:

e, quando é para vivermos,
sem anteciparmos o dia morto,
um grande e audacioso
amor,

parece
que nos esquecemos que, como a passage
de uma avassaladora tempestade
que passa,

sempre há o risco
perda!

O PREÇO DA VIDA!


... quantos
homens sabem realmente
observar as profundidades
dos lagos,

se, mesmo
à superfície, lhes custam
tantas dores e
angústias;

e quantos
homens conseguem
habitar as profundidades
dos lagos,

se isto
lhes custa, por carestia
de oxigênio e de sonhos, a própria
vida?

ANGELICAIS OBSESSÕES


Soturnos anjos
descem às escondidas de seus
céus azuis

para pousarem
e me amarem em minha fria
e sombria casa:

depois de se fartarem
e gozarem, saem vestidos de branco
em cânticos de glória,

jogando-me
o peso da transgressão e do pecado
consumados em soturnos
e extáticos rituais!

PAISAGEM VAZIA!


... meus tenros sonhos
viraram pesadelos definitivos,
dos quais não consigo escapar
meu meus hábitos
caninhos;

desde os amanheceres,
os dias estão brancos como
folhas frias,

como a alma
deste poeta niilista, a tentar escrever
poesias com seus vazios
encardidos!

A NOITE E SEUS SEGREDOS


A noite
e suas silentes vagas,
e seus intransitivos escuros,
e seus incompreensíveis
segredos,

mas tão sublimemente
alheia a noite – e assim tão inocente –,
que não resistimos a estuprá-la iluminá-la
com nossas refulgências
sencientes.

O ESQUECIMENTO TEM PORTÕES


Não faz sentido,
esqueci-me completamente
daquele pálido
rosto,

e os discursos
puristas, sublimes, alvecidos
sumiram-me da memória
fragmentada;

não faz sentido,
não me lembro mais
daquelas curvas e daquele
misterioso jeito,

e as dádivas
e as juras de amor eterno
se me desapareceram
por completo;

não faz o menor sentido
como outrora pude adentrar
aquele jardim e cometer
tamanho erro.

AMOREUX DE LA NUIT!


Que fomos
senão dois amantes adoradores
de imagens em jogos
de espelhos?

Que fomos
senão apenas mais dois objetos
do querer e do desejo, quando nos bebíamos
de corpo e alma inteiros?

E quando pegávamos
do mundo o tesão, a fantasia, a loucura
e os brilhos e pesos?

Que sonho
foi aquele nosso à nuvem,
se vivíamos rolando pedras aos chãos
o tempo inteiro?

Que grande e eterno
amor era aquele que nos jurávamos
com uma linguagem colorida,
mas afiada como navalha
bêbada?

LIBERDADE


Quem
dentre nós pode
realmente falar em
liberdade,

de dentro
da maior de todas
as prisões que
habitamos:

nossos próprios
egos?

O DESERTO ME TOUXE DE VOLTA


O deserto
me trouxe de volta
a ausência dos vôos das andorinhas
e das gaivotas

e estabeleceu,
entre o céu azul e o árido chão,
caminhos vazios
sem rotas;

como se não bastasse,
fez-me ainda um imane e angustiado demente
a me escorrer em mal traçadas
poesias mortas.

O FIM


A única coisa
que realmente preciso de ti,
é de um silêncio morto
e sempiterno;

que, do resto,
já bebi e comi – e tanto, e tantas vezes –
que acabei me tornando
sombriamente obeso.

O QUE APENAS SE IMAGINA HAVER


Olhares de bilhões
clareiam, com seus faróis - sencientes -,
as casualidades alheias
das sombras;

pontes se constroem
cada vez mais densas - e a todo momento –
com suas magníficas ilusões
fluorescentes;

entremeio a tudo,
um poeta e uma poetisa se veem - distantemente –
e se aproximam com a paixão enferma
de seus versos.

AFASTAMENTO


Afasto-me, vagarosamente,
de teu âmbito nuvem,
e monto vigorosa barreira
para conter-te as faustas dádivas,
as soberbias desvairadas
e as chuvas afiadas;

sim, já não tarda muito
para que não mais te sejas
permitido entrada
às bipolaridades de meus neons
ou aos enegrecidos degraus
de meu cerne degredado;

e te tenhas de ir
a vibrar tua boca e tua mente
encharcadas,
por outros caminhos
e outras esquizofrenias
inauguradas.

O NIILISTA MORREU CONTIGO


Nos últimos tempos,
depois que tu partiste ao paraíso,
tenho andado tão breve
e tão mínimo,

tão exangue
no fio desta tênue vida
tão confuso, tão desérico
e tão sem abrigo

que,
em meu velho telhado
só têm pousado imensos cardumes
de nadas e de vazios!

A CORTINA!


Escorro-me escuro,
como um vagabundo que não
quer se aceitar vagabundo:

arrato-me,
visto poesias escuras,
escondo os farelos de minhas
quedas;

então escorro-me
de modo ainda muito mais sujo,
quando de anjo me dissimulo

para poder amar
e foder as puritanas deste
mundo!

O RETRATO DE THOR MENKENT!


Eu não me disse poeta,
eu nunca me disse anjo,
eu não me lembro sequer
de me gabar por tentar
ser honesto;

eu sempre assumi,
perante as beldades que conheci,
embora afirmassem que eu fosse um tarado
endemoniado,

que, ao se abrir
das cortinas do espetáculo,
sempre me houve também
um claro querer

de início de projeção
de minha boca às suas bocas
e de minhas mãos entre as pernas:
delas e as minhas!

ATÉ A ETERNIDADE!


Alguma vez
conseguiram apagar uma estrela
com a imaginação e com o poderosíssima
senciência humana?

– Não!

Pois é assim,
do mesmo jeito impossível,
que me enlouqui na borda
daquela lua,

quando
me dei a te amar, de tal modo
que até as minhas sombras
se puseram a brilhar!

O PREÇO DA VIDA!


... quantos
homens sabem realmente
observar as profundidades
dos lagos,

se, mesmo
à superfície, lhes custam
tantas dores e
angústias;

e quantos
homens conseguem
habitar as profundidades
dos lagos,

se isto
lhes custa, por carestia
de oxigênio e de sonhos, a própria
vida?

ANGELICAIS OBSESSÕES


Soturnos anjos
descem às escondidas de seus
céus azuis

para pousarem
e me amarem em minha fria
e sombria casa:

depois de se fartarem
e gozarem, saem vestidos de branco
em cânticos de glória,

jogando-me
o peso da transgressão e do pecado
consumados em soturnos
e extáticos rituais!

ESCONDIDOS ESPELHOS!


… à noite
ficam acordados os cães,

e os anjos sabem
disso de seus exilados
paraísos:

dizem que,
quando Deus adormecem,
descem escondidamente
às sombras,

onde sonham,
amam e fodem com seus espelhos
em libidinosíssimas
miragens!

NÓS NÃO MAIS NOS VEREMOS SOB O SOL!


Onde tu estás?
Esqueci as vezes em que não
dormi às noites (a te esperar
insone),

nas quais
fico à janela de meu quarto
vendo as estrelas piscarem e depois
morrerem ao amanhecer:

e é exatamente
quando o dia nasce que eu mais
percebo que tudo acabou

e que não resta
outra coisa a fazer senão esperar
minha morte chegar, para que minha verdadeira
profundidade possa tea char
no inferno!

ANJOS E MARIPOSAS



... balbuciam
escondidas as mariposas,

a combinarem
em segredo onde serão
as próximas camas
a se deitarem,

e com que
luzes serão as próximas
das quais se aproximarão, incautamente,
o suficiente para se
suicidarem.

DESOLAÇÃO!


Daquela antiga
distração, o que nos
sobrou,

após um amor
de grandes e eternizadas
ilusões,

senão essa interna,
solitária, triste e negra
devastação

que se nos assentou
ao coração!

DIA MALDITO


Greve no banco,
greve das flores,
greve das nuvens
e greve dos pássaros;

quando chego em casa,
minha esposa, por causa de um pequeno
desentendimento ontem, também
está de greve!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

PACTO



Em pacto feito
sob os brancos lençóis
do quarto,

após a extática
comunhão dos corpos
e dos caldos,

ousaram
a se dadivarem em amor
sempiterno;

enquanto a noite
se dissolvia
perante seus olhos
cegos,

a desdenhar
o incauto e frágil sonho
dos dois amantes.

AS PRELIMINARES E AS GRANDES QUEDAS!



Vestir um par
de asas inválidas em busca
da ilusão do sublime
amor,

emoldurá-lo
com a volatíssima palavra
em etéreas alvuras
celestiais

e, depois de findo,
reacender os néons em outras
quimeras igualmente
fantasistas,

aumentando,
inexoravelmente, a coleção de vazios
e destroços ao próprio
caos!

A FALHA DO CÃO NIILISTA



... humano como qualquer
outro!

... seus olhos firtos,
seus seios lindos, seu corpo deliciosamente
curvilíneo,  a firmeza nos gestos
e na fala,

uma musa a tratar
um velho niilista poeta como
um anjo-menino;

seus gestos
diziam, suas mãos diziam,
sua boca dizia, seu sexo dizia
e o niilista a tudo queria,

e tanto,
e por tanto tempo esperou que,
mesmo sendo um cão, ali naquele momento,
diante de tanta formosura
e disposição,

vacilou!

BELDADES AMIGAS?



... isso é como por galinhas

junto a raposas!

... eu sou franco,
eu não gosto de chamar mulher
de amiga,

eu evito ao máximo
esse termo quando me refiro a
ou converso com alguma beldade
qualquer;

e o motivo
é simples, embora os anjos, sempre
uns desgraçados mascarados, costumem
cuspir na minha cara, quando
falo:

eu tenho
um grande pau e elas têm belas,
cheirosas e apetitosas
bocetas,

o que barra
minha mente, já em nível, consciente
ou inconsciente, de assumir uma simples
amizade de verdade,

uma vez
que a id, em algum momento,
será disparada!

O CÃO HUMANO!



Tudo bem
que sou um cão
a bombardear os palcos da vida;
mas veja bem,
___ querida,

os anjos de que falas
também andam, demasiadamente,
___ ocupados

a regoijarem
luzes e a desfrutrem
___ imagens,

fabricadas
a sonhos e ilusões
das nobres passalavras
___ dos menestréis,

a fantasias
e vesanias das virtuais telas
___ dos arlequins,

a suores
e fulgores dos laivos corpos
___ dos sapiens!

COMPLETAMENTE DECEPCIONADO COMIGO MESMO!


Quarenta e sete,
puta que pariu, que decepção

é ter a convicção
de que sempre estive certo
ao olhar o mundo no reflexo
de mim mesmo!

Sim,
aos quarenta e sete,
que inferno é constatar que,
quanto mais estudei, procurei evoluir
e decifrar o ser,

mais exatamente como
ele, ao puxar o saco de beldades
e de anjos ciriqueiros para lograr êxitos
e êxtases, eu me fui!

O TECIDO POÉTICO



Os poetas
costumam ser cuidadosos
com suas costuras
em versos,

escolhem a dedo
as palavras mais adequadas
para comporem rimas
perfeitas;

E eis seu pior
erro, porque isso é nada mais
que juntar trapos de luzes
dissimuladas

em bordo
de naus, e em lamas
aos chãos.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

A BELÍSSIMA PROSTÍBULA!


Nobres palavras
ressoaram de teus lábios,
sobretudo quando te postavas
perante manipuláveis
espelhos;

não obstante,
vi escorrendo de teus olhos
– que te condenaram –
mentiras em brilhos
secos.

E não é por isso
que eu deveria ter te julgado
os enredos dos verbos
e as espuriedades
das atuações

– até porque bem sei
que não é possível ao sapiens
a sublimidade plena
que ele almeja –;

mas,
se te preguei à cruz,
foi somente porque atacaste
aquele que, como tu, tem incontável
e vil pequenez
de espírito.

SEMPRE PRONTOS


Escondidas
as sombras das asas
e dos corações

e lavados
os leites e as nódoas das genitálias
e das mãos,

os pássaros
sapiens colocam-se
(tersamente)

sempre prontos
e limpos para as próximas
encenações.

FENDAS NUAS


... e todos os toques
e esfregaços excitados, e todos os abraços
e beijos molhados, e todos os leites
e lágrimas derramados,

e todas as dádivas
de amor sublimado, e todas as luminescências
regozijadas, e todas as demais perjuras
feitas com o verbo volátil;

tudo, tudo, tudo
saiu e, ao fim, retornou do mesmo ponto:
suas almas esquálidas
e esvaziadas.

VERDES CAMPOS TÚRGIDOS


... o que faz
a sublimidade dos voos
são as invisíveis
asas:

o problema
é que sempre nos imaginamos
nos haver naqueles sem,
contudo,

tomarmos
as medidas certas e concretas
para cuidar bem
destas.

RENOVAR


... é tempo
de se apagarem (definitivamente)
as luminescências
artificiais,

para tentarmos
nos renascer, separadamente,
em uma nova e sublime
imensidão.

ALÉM DE TARDE PERDIDA DE UMA DOMINGO


... a mente
entorpecida pela cerveja,
pelo vinho e (das coisas) pela
incompreensão;

o corpo
encurvado, já quase prostrado,
ao ressequido
chão;

ao cd-player da sala,
Tchaikovsky toca algo que, há muito,
já não distingo muito
bem;

a alma
vigora antes de tudo isso
– lidando com sonhos, esperanças
e quedas constantes –

ao mesmo tempo
em que sempre se perde em meio
aos tantos e longos
desvãos.

REGRESSAR À NORMALIDADE


... da imensidade
esquecida, do fogo quase apagado,
dessa quase inapagável
rotina maldita.

Sim, regressar
– como as magníficas ondas –
ao grandes e vivos
mares;

calmamente,
percorrendo todo o mapa
com suas flores
e pedras:

e somente aí,
neste ponto ter a certeza absoluta para
– em um sincero “eu te amo” –
se declarar.

A MORTE DO MENSAGEIRO!


Eu voltei no tempo
e no espaço para te admiriar
puerilmente,

havia em ti
muita luz misturada
com sombras:

tu uivaste
e choveste como nunca, querendo-me
como teu anjo menino,

tua mente
adornava meus pensamentos
e minhas ilusões mais extáticas
e efervecentes.

Com minha resistência,
choveste mais e fizeste colidir-me,
com tuas mãos e com tuas loucuras
uma seringa com veneno medido
à conta para não me matar,
como dizias:

silêncio,
solidão
e dores de parto cruciantes,

vieram com o veneno
que aplicaste em minha carne,
em minhas veias e em minha alma
suicida!

E TODOS SEGUEM, SILENTES, COM SEUS SEGREDOS!


As luzes neon,
as maiores mentiras já pregadas
pelas retinas sapiens;

aos espelhos,
as mais belas, sublimes e leais
atuações ao membembe
espetáculo sapiens;

sob as nuvens
que acima passam despercebidas,
procissões e mais procissões de sapiens
pregando o bem e a boa
vontade:

aos lábios, porém,
não se ouve nenhuma confissão
de seus piores, mais aterradores, mais libidinosos
e mais hediondos segredos!

NÃO FUGIMOS DAS PEDRAS E NEM DAS CHUVAS


... para amar, como
concordo com Drumond,
em não devendo ser verbo transitivo,

deve-se ser por entre
os jardins, as flores e os espilhos que
elas contém aos caules
escondidos,

aos céus zuis,
às areias movediças e aos pantanosos
vales onde os fantasmas se abrigam
e se escondem,

na cama,
como na fama, da flama ou na lama
onde possa aparecer todo e qualquer delírio
ou desafio ao dois cúmplices
amantes!

O QUE É REALMENTE ESTE TAL DE AMOR?


... concordo
com Friedrish Nietzsche,
quando ele diz
que

“O que se
faz por amor, está
acima do bem
e do mal”;

não concordo,
entretanto com as dores
que provocam com ciúmes, possessividades
e agressividades

por vãs
elucubrações sobre o que
faz ou deixa de fazer
o ser amado.

SOBRE OS CAMPOS DESOLADOS


... quase
às vésperas de minha partida,
liliths e nuvens

picaram
a mula e foram embora
julgando-me como se fossem
deuses:

até que
chegou alguém andando
por entre meus
despojos,

que fez,
com sua simplicidade, ternura e luz,
com que ainda me nascesse
uma última flor
incendiária!

quarta-feira, 8 de maio de 2019

FOGO E CAOS


... que somos,
senão amontoados de átomos
em abnormidades variantes
e sencientes,

e que sobre nós seja,
senão violações de casualidades,
possibilidades e silêncios
inocentes?

PAI, PERDOA-NOS, SOMOS SAPIENS


... depois que
os verões se enxugam
e os invernos se enrugam aos caminhos
e descaminhos

(já exaustivamente
desgastados por tantos voos,
quedas e esfregaços),

que virá após
(e depois de após) senão inícios e reinícios
de mesmos ciclos

tão cheios de vida,
tão cheios de equívocos,
tão cheios de morte?

Por isso, Pai,
mais que nos perdoar, é preciso fazê-lo
(embora doloroso) sempre
e incondicionalmente,

porque o que
mais fazemos é nos colocar
à imanente beira
do erro.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

ESPELHOS QUEBRADOS!

... ferido pelos espelhos,
já me tornei exangue, meus ossos
já se quebraram todos,

eu mesmo
me tornei ácida chuva e,
sem mais conseguir absorver
nenhuma luz,

acabei me suicidando

em minha casa abandonada!

O MESTRE E A SEMENTE!

... em algum ponto
sempre nasce e sempre morre  
algo no cosmo,

anjos,
santos,
demônios,

fantasma, águias que havitam
o topo das montanhas, formigas
e vermes:

e o ser acha
que só ele é digno de ser
chamado de  santo, santo santo, sem entenderem
que toda morte é uma semente
ocultada e regatada por

Deus!

AINDA NÃO ME CONFORMO!

... com o sangue
quase já todo negro, magérrima
e sem mais força alguma,

esqueceu o ego
com que, lindamente, sempre
se exibiu nos palcos
da vida,

e disse um nome,
aquele que ela mais amara na vida,
antes de expirar por derradeiro:

o nome dela é Ana!

CONFLUÍMOS!

... confluímos
no amor, insistimos nos sonhos,

éramos donos
de nossas escolhas

e, em vez de nos amarmos
eternamente como nos prometemos,

fomos, com venenos

injetados aos poucos, nos matando!

SÃO PODEROSAS!

Um poder imanente
sem o qual o ser já teria
perdido a pureza nos gestos
e nos encantos,

a fragilidade que nos  coloca
em xeque, quando nos aproximamos sem jeito
e e com timidamente sem vergonhas:

eu garanto que
por falta de ter a quem amar
e se transcendeta:

xaninhas amarelas,
azuis, vermelhase de todas as cores e de todas
as cores, e sonhos e flores,  não podem
jamais faltar, sob pena de o ser
não achar mais nenhum
motivo para lutar!

ESCONDIDO EM MEU QUARTO!

... embriagado
de madrugada no cemitério,
com a companhia dos teus e dos meus
fantasmas,

deixei de navegar mares,
de subir montanhas e de levar
anjos pra cama

e me ransformei-me
em menos que as cinzas do nada
que, após parires, deixaste

na estrada!

A LOIRA AO FIM DO CAMINHO!

... essa tua capacidade
de voar a noite inteira, feito uma eterna
estrela,

essa tua loira beleza
a ofuscar o sol logo em sua bela
manhã,

esses cabelos
que parecem cachoeiras douradas,
essa nata bondade que demonstras
carregar ao coração alado:

essa tua coragem para
viajar ao deserto ou ao mar,
esses teus seios que parecem feitos
por mãos divinas,

essa xana, esse teu jeinho
de anjo custoso e delicado, que
me deixa axfixiado e aprisionado

em tua  jaula!

NÃO HÁ ALÍVIO NO FRONTE!

... tem mais
paz quem não pensa e não sente
demasiado,

confesso
que tenho saudades de minhas
raízes razas,

tempo em que
me era possível até a previsão,
em sonhos e esperanças,
do impossível

___ do amor,
___ do lindo e virgem corpo,
___ da donzela por mim salva
da dor;

confesso
que isso parece meio idiota,
mas também que o olhar profundo
ao ser,

em um caminho
de pedras e sombras sem fim,

me levou!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

SEM ESPAÇO PARA MIM!

Nem às madrugadas,
esses puristas desligam seus faróis,
como que a darem algum sinal
de suas presenças,

como que tivessem
descoberto que há alvos anjos
e corujas de paus
duros,

a sobrevoarem
os telhados e a pousarem nos varais
estendidos por entre
as sombras!

ATÉ A ETERNIDADE FOI FERIDA!

... sangrou
a pura de deus, porque
o mundo e as coisas do mundo
engoliram sua voz,

depois de ela lutar
pelo viver sem imagem, em um mundo
por elas feito

e de ser destruída
pela lepra que se lhe impuseram
os nobres tios, desde cedo!

A PUERÍCIA DO MENINO QUE AINDA TE AMA!

... Para Ana:
eternas saudades!

... vento frio que ficou
de um inverno onde não há
mais vida,

depois que caíste
morta com aquele tumor
negro,

nada mais diminuiu
minha angústia, minha abissal solidão
e minha dor!

UMA ESTREITA VERDADE DO SER!

... sou por todos
contestado em meu niilismo,
talvez subvertido como o poeta
comentou,

mas sobre
as criações mais sublimes
do ser,

encontram-se,
entre toda vastidão que controlou,
um amor que nunca foi
e não é sublime como
ele pinta

e um poderoso
e benevolente deus sem olhos,
que ele fabricou só para
se servir!

NOSSA HISTÓRIA!

... não sei o que é o amor,
deve ser essa coisa que nos mantém
a tanto tempo juntos,

deve ser esta vida
de sensações, de fantasias e de desejos
divididos por tantos anos
no leito,

deve ser essa dor o peito
que arde e queima, e nos aterroriza
toda vez que entramos
em chuvas de fogo,

deve ser esse êxtase,
esse egoísmo com nossos corpos,
essa possessção que sinto por ti
e esses segredos íntimos que sempre houve
entre nós dois!

A DOIS PASSOS DO ABISMO!

... nestes
últimos tempos de minha
vida,

quando
me vires caindo em vazios precipícios,
não corras, mas dê-me
a mão;

quando
me vires cansado e adormecido,
não fales nada e apenas
te deita a meu
lado;

se, no meio
da noite, eu tiver pesadelos
e lhe jogar pragas, cala-me a boca
com um abraço e com
um beijo molhado;

quando eu
em definitivo partir,
não chores, não lamentes, apenas
contempla as estrelas
que um dia foram
nossas

e faze-nos, a nós dois,
uma oração a nosso eterno
Pai!

A PREMONIÇÃO DE ANA!

... sonhei
___ de novo com a corredeira,

tínhamos
___ que atravessá-la,

você foi primeiro
___ e machucou o pé esquerdo

(hoje manco
ainda com a pancada do câncer
que apareceu em minha
___mente);

então
você retornará, pegará impulso
___ e vai atravessar

e, para ficar contigo,
tentei atravessar a mesma corredeira,
___ e não consegui:

Depois disso
te vi a voar, mas eu já não
___ estava mais aqui!

EMBORA NEGUEM, A PRISÃO É A MESMA!

... não,
definitivamente nunca
___ entendi:

enquanto
os anjos e as flutuantes borboletas
___ multicoloridas escondem

a verdade
de seus sonhos, de suas intenções.
de suas fantasias e de
___ seus desejos,

às demais
luzes neon do espetáculos
___ sapiens,

o porquê
de ficarem ofendidos ou assustados
com umas simples imagens
de beldades vestindo
___ lingerie:

por outra,
de nim, digo e afirmo que
é a vulva melada
___ e excitada,

com ou sem calcinha,
que inaugura a um homem a porta
___ de um paraíso!