segunda-feira, 26 de junho de 2017

NOITES SEM LUAR XXII

As puritanas, de alvos
verbos,
ofertam-vos puros
amores
com que possais
sonhar;

as putas dão-vos
o corpo
e vos banhais em êxtases
e em porras
caudais.

As puritanas, de virgens
máscaras,
dão-se em candidezes
sublimes
com que vos pensais
limpar;

as putas vos contais
segredos
e vos mostrais os decaimentos
sapiens.




As puritanas,
com suas refletidas
inocências,
dadivam-vos amores
eternos
em perfeitos jardins
de paraísos;

as putas,
de almas sórdidas,
condenam-se para dar-lhes
a satisfação do pecado
consumado.

Não obstante,
servi-vos das duas,
enviesados menestréis
sapiens:

tais como as puritanas
a regozijarem,
a céus abertos,
seus ilustres
faróis;
  
e tais como as putas
a esfolarem,
a quartos escondidos,
seus quentes

fulgores.