domingo, 25 de junho de 2017

ESTRANHEZAS HUMANAS



Seja assumido
que o maior dom que temos
é o de desconhecer dizendo que conhecemos,
o de nos amar, dizendo que amamos,
o de nos transitivar, dizendo
que intransitivamos;

mas aos que não suportam
a inocência vaga do próprio cântaro,
sejam suas coloridas fluorescências
ausentes de mim,

porque já me aceitei
em espúria e invertebrada condição,
e me passo preto e branco,
e realmente me desconheço;

e, paradoxalmente, amo-me
porque não me é possível abandonar o ego,
e me transitivo dissimuladamente
em formas, cores, fantasias
e vesanias,

e me equinocio sem rosto,
com incontáveis máscaras por mim fabricadas,
por entre as estações dos tempos,
os sem-rumos dos ventos,
e as apresentações mambembes

dos demais neandertais.