quinta-feira, 22 de junho de 2017

A PARTIDA



Vou deixar cada lembrança
de cada fantasma que me trouxeste,
de cada mito que inauguraste,
de cada mentira que me contaste,
de cada traição que me consumaste

e de cada lugar
por onde te enlameaste  navegaste,
enquanto mentias me amar,

bem além das bordas da ilha,
nas menos substantivas das razões,
nas mais medonhas sombras do cerne,
no mais rigoroso inverno do coração,
nas mais angustiosas dores da alma,

e por todos os lugares
por onde estive a arar com meu olho ciclópico,
até que tudo se finde, enfim,
numa aliviosa e etérea ausência

da mesma floresta
que outrora plantamos a néons artificiais
e que [já se prenuncia] um dia
haverá de se nos apagar.