terça-feira, 20 de junho de 2017

O CHÃO E SEUS (DES)ENCANTOS



Que estranha cena
de eu de mim nesse nublo
do dia,

em que chora
uma fina e insistente
chuva fria!

Como são belas
essas nuvens escuras, pálidas,
fugidias,

a esconderem,
por entre suas sombras,
os sóis que, outrora, alumiei com
virgem ousadia!

Por que a rua
onde piso está assim
tão diferente, com suas flores
e seus mistérios

___ mais vivos,
___ mais sedutores,
___ mais sublimes?

Que intenso
orgasmo é esse que estou tendo
com o vento a bailar,
sinuoso e íntimo,

em minha pele
cansada, em minha mente
bastardia;

e a me tratar
como o finado menino que,
tão longiquamente,

lhe montava
o dorso esplêndido
com grande
maestria?

Por que essa vida
tão vida veio me encher assim,
tão de repente,

fazendo-me
encantar desse mágico vazio
ao fim do dia;

senão para me lembrar da angústia

e da dor daquela cândida alma havida,
 em minha infância tão longe

perdida?