quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PERDA DE CAPACIDADE



... já não me vejo a admirar
os campos dos marimbondos, das andorinhas
e das borboletas
azuis;

já não me sinto nas nuvens,
nas esperanças e nos sonhos dos anjos decaídos e dos que ainda se acham
puristas;

já não me esqueço
(para meu alívio) de coisas que precisaria esquecer,
quando isso me é imprescindível para
resistências a dores e angústias
do momento;

já não me lembro,
quando se me apraz, de outras coisas,
que pudessem me satisfazer e me salvaguardar
em momentos de febres
e delírios;

já não me imagino
com a foice e a enxada às mãos para,
 depois da devastação , fazer sublimes
e mágicos replantios;

sim, já me passo,
e já não me sinto vívido,
tal como se o próprio tempo e a própria estrada
é que estivessem-me

fugido.

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