sábado, 16 de setembro de 2017

NATURALMENTE FLOR



Boa é a aquela pequena árvorede corpo juvenil que dançava diante do restauranteem que eu estava ontem.

Enquanto bebia minha cerveja, ficava espreitando como ela bailava graciosa ao encanto e ao compasso do vento.

Dava até pena de ver, enquanto a fuzarca palavreada corria no ar de dentro, as donas, com seus rímeis e fantasias, dançando como macacas seus ritmos conhecidos e repetitivos, e espigalhando os dentes como se fossem princesas em baile de gala à espera de seus príncipes encantados que chegasssem para lhes agradar e para lhes foderem em algum quarto mais tarde.

É provável que ninguém houvera reparado a pequena e sedutora árvore
ao lado de fora, mas eu já a paquerava desde que ali chegara; claro que ela não tem coração nem boceta; e que amanhã, de ressaca, eu já a terei esquecido.

Eu sempre me esqueço das coisas, sobretudo das boas coisas; mas agora não, agora afirmo que boa é ela, sem má-fé alguma.

E se alguém a amar ou a xingar, ela fica assim bailando; e se alguém a ameaçar ou a ferir, ela continua ali, bailando; e se alguém arrancar uma de suas pernas,ela continua ali, bailando com o que lhe sobrar.

Agora as flores artificiais, rimetizadas, mascaradas, perfumadas, ah, essas não, essas não dançam tão graciosamente, não.

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