sábado, 16 de setembro de 2017



Às 8 da noite, as donas que moram defronte minha casa sentam-se a seus passeios em alegres reuniões; algumas trazem os tamboretes surrados pelo uso, outras se esparrodam pelo chão com suas calcinhas enfiadas nos botões.

As vasilhas do jantar já foram brevemente lavadas ou tal tarefa fora postergada para o amanhã, pois o assunto de toda noite lhes urge e agrada.

Murmuram entre si, com lâminas e concupiscências às bocas, sobre a vida alheia ou sobre os belos galãs das novelas que assistem junto com seus maridos.

Algumas até se esticam na fertilidade do pensamento para imaginar como seria o cacete e uma foda com alguns dos que residem na cidade ou com alguns dos saradões da TV.

Mas aos domingos ou às novenas que promovem uma vez por semana em nome e honra de Cristo, não; ali chegam até a se comoverem em lágrimas de purezas castas,

Aos leitos com seus esposos onde se deitam todos os dias, após os orgasmos mentais tidos no passeio, também não, ali se postam como esposas dedicadas, acarinham e se dadivam e até fingem que ele é o melhoral, enquanto ainda pensame fantasiam, silentemente, com os paus dos outros.

Aos ensinamentos de seus filhos então, nem se fala;elas viram onça se os meninos falarem sobre as bocetas das flores da cidade.

Aqui no interior as coisas são assim, as senhoras falam de tudo, inclusive de homens e de paus nos passeios de suas casas, num bairro ideal, com seus carros na garagem, enquanto seus maridos assistem ao jornal Nacional ou a algum jogo de futebol.

Nas grandes cidades as coisas são diferentes, lá os passeios não são usados para reuniões, lá as donas não costumamse ajuntar para falarem das vidas dos outros, nem de homens e de paus, nem de suas andanças a amarem e a foderem nos motéis distantes. Lá elas simplesmente traem, fodem e fazem a festa bem escondidinhas por entre uma multidão.

Enquanto isso, enquanto eu as via (as que cochichavam num passeio da pequena cidade onde resito) ali assim, a dois quarteirões, os meninos fazem a algazarra com seus gritos ainda ingênuos.

E nesta noite, eu abri uma garrafa de vinho tinto e fui escrever sobre essa merda toda!



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