quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

EU TE VI NUA DE CORPO E DE ALMA!

... imóvel
e incapaz de fazer alguma coisa,
vi-te perdida no caminho e te vi,
com suas máscaras

a voar por céus,
por mares e por leitos de rijas
e ásperas belezas;

por detrás
da lentidão habitual com que
caminha nossas vidas, vi-te perdida
com uma falsa aura
furtiva

e te avisei
que a mágina não era essa
e sim tentar compreender e melhor escolher
entre a celebração das coisas
onde fomos jogados.

Já com teus
sonhos cansados pelos invernos,
pelos outonos e pelas frequências constantes
a cafés-concertos e camas,

próxima à morte,
tu me escreveste, dizendo:
“É, por que não te ouvi, quando falavas
que chegaria, enfim, o tempo
do tarde demais?”