quinta-feira, 2 de novembro de 2017

INCÓGNITA SAPIENS



Sabendo que
as coisas não se conhecem
como as nomeamos
ou imaginamos,

e que a ilusão
existencial é imanente ao singular
surgimento de nossa
espécime;

ainda assim
– e eis meu deserto – constituo,
com minhas abnormais e imanentes senciências,
inaugurações de toda ordem
e a todo momento.

Neste ponto,
penso ter-me criado conceitos
– também tão espuriamente abstratos –
que mudaram-me e me moldaram
ao niilismo:
  
“O surgimento da abnormidade”,
“a grande barreira” e o “inexorável apagamento”,
em presenças concomitantes,
mas alheias entre si;

e tentar esclarecer
melhor sobre tudo isso de mim,
demandar-nos-ia extensíssimo tempo
de prosas filosóficas
e metafísicas,

em simplesmente mais
e mais excêntricas e subjetivas criações,
sempre à margem do erro do qual surgimos
e ao qual nos andamos.

Não obstante
– e em tempo –,  tornei-me tão árido
em minhas angústias e em meus escorrimentos juncos,
que acabei por fabricar-me também
um forte refúgio,

qual seja o de crer
que qualquer sublimidade mais sincera entre os seres,
ou qualquer pureza mais afiada
entre seus limites,

 ]
 só podem ser  realmente
conquistadas, com uma ausência constante
de seus egos, em silente admiração

à distância.

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