quarta-feira, 29 de novembro de 2017

OS VIRTUAIS



... isso é uma prisão,
certamente é uma vasta prisão
onde sempre há bajulações, brincadeiras
e visitas íntimas,

é como se saíssemos
de casa e fôssemos para outro lugar,
para outra cidade, para outros céus e mares
e para outros leitos,

é como se tivéssemos
duas vidas: uma real e um monte
de máscaras para atuação
virtual,

é como se esse retângulo
onde escrevemos poesias, elogios, versos
e pornografias fosse nosso espelho
às avessas,

é como que se
fosse possível, sem os problemas do dia a dia
com a pessoa cibernética do outro
lado

um mundo
de paz, de prazer e de coisas angelicais
sem nenhum efeito
colateral;

sim,
isso é como habitar o inferno,
pensando que somos seres angelicais
com nossos desejos e devaneios
sempre paradoxais!