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nem sempre há asas válidas (ou resistentes o suficiente) para manter os voos
dos soberbos puristas, nem os sonhos dos sublimes poetas ou dos
Abjurados devaneios dos amantes macetas; mas devo dizer que nunca lhes
faltará um chão, onde impere as duras realidades das pedras.
Um dia ousou tirar a blusa e mostrar a lingeri e os peitões, e à calcinha se alisava para ver se ao cão também dominava: foi acorrentada e podada de forma que imediatamente perdeu a graça, mas não a mania de se omportar enciumada.
Agora padece com os anjos correndo de costas e deve se lembrar do cão que lhe mostrou a real estrada e que lhe fez escrava da realidade, condenando-a e todas às suas aprocrifias ao futuro vazio e nada, ao qual agora ela está mergulhada!
Era uma vez uma garça cristalizada que vivia com
seus abismos escondidamente virados para baixo. Subia nos penhascos, navegava
os mares e desbravava os céus estrelados. Mas quando fazia inverno, pisava os cravos
e as baratas, para andar até a próxima tela a ser pintada.
Não jantava, banqueteava e transava com os anjos e
com os pássaros. Depois de algumas asas quebradas, refugiava com o cão nas
madrugadas.

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