segunda-feira, 9 de outubro de 2017

FOLHAS SECAS



A casa está vazia,
com suas esquálidas paredes
e com folhas mortas
esparramadas
pelo chão,

exceto
pela constante presença
dos fantasmas,
que sempre aparecem
a me assombrarem
com os fulgurosos alvoreceres
e com as recorrentes quedas
de outrora,

e a me sussurrarem
tua fluorescente presença
em distantes bailes de máscara,
em quentes e concupiscentes leitos caudais,
em oníricos sonhos de asas
e em renascidas e cândidas esperanças,
que não são mais minhas;

enquanto,
ao som de “A whiter shade of pale”,
solitário e anestesiado pelo sofrimento,
acendo um cigarro,
abro aquele vinho tinto
do qual já bebemos tantas
vezes juntos,

e pego da esferográfica,
inexoravelmente amortalhado,
a escorrer-me sobre a tela
mambembe

– desta estática e envelhecida
moldura –

com as falésias cavadas ao rosto,
as dores inflamadas ao coração,
o vazio arraigadas à alma,
e mais nada.

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