sábado, 7 de outubro de 2017

EU SOU ASSIM



… uma tempestade em descontrole,
um duro aço mal forjado no fogo,
um gole amargo de veneno em forma
de vinho tinto do porto,

um ágape sem asas em que se laçam
falsos anjos,
um porto que pensam servir de salva-vidas
a incautos naufragados,
uma besta alienada à qual correm
as donas comidas e enganadas por anjos
por elas antes idolatrados;

eu sou isso que dizem,
um cão que late e avisa da soturna
visita noturna, mascaradamente vestida de lume,
da qual fingem não perceber
com suas retinas:

sim, sou isso;
graças a Deus ou a um ocaso do destino,
mas com a diferença que tenho  a coragem
para ser e me assumir ser, sem bancar
vítima ou apontar dedos de meus erros,
enganos e pecados para outros

lados!

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