...
dorme, amada minha,
que
tua vida for a nada como
eu
te falava,
que
minha vida
não
é o que penso ser ou sentir
e
que também se virará
ao
nada,
que
a vida
de
todos que, como tu, dormem,
foram
nada,
que
a vida
de
todos que, como eu, ainda
deliram
que estão sencientemente
acordados
irão ao nada;
sim,
dorme amada minha,
agora
com o teu outro mestre, Fernando
Pessoa,
nesta outra ajá
morta
linha,
que
é como ele
disse
e eu sempre confirmei a ti:
“Dorme,
que tudo é vão!
o caos nunca deixou
de haver e nunca deixará,
se alguém achou a Estrada,
achou-a em confusão
com a alma enganada.”;
sim, dorme,
anjo meu, porque não há possibilidade
de haver outro eterno reino que
não o do apagamento,
aquele
em que o ser não possa mais
intervir com suas retinas, quando,
no máximo, a luz de nosso sol
se extinguir,
e com ela
todos nós e nossas visões
adulteradoras, reveladas pela reflexão
irregular de sua natural
luz;
no mais,
o caos há entremeio, como sempre houve
e haverá, só não mais podendo
ser sentido pela laiva
morbidez da mente
sapiens.

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