terça-feira, 23 de maio de 2017

JUNTO AO CHÃO, NADA POSSO FAZER


Não somente fé,
como, e sobretudo, a vontade e a força,
impostas nas escolhas
realizadas,

são as únicas
coisas que realmente podem
nos libertar

das quedas, culpas
e pecados que se nos acumularam
pelo caminho,

e dos fantasmagóricos
miomas que se alimentam de angústias e dores
que se nos cresceram
à alma.

Sim, para lutar
contra as sencientes miragens
e suas recorrentes
consequências,

não nos basta
ler Shekespeare, Montesquieu
ou Santo Agostinho,

nem se empanturrar
de conhecimentos, idealizações
e esperanças sapiens

– regozijados em verbos
e imagens por tantos imperativistas
e sonhadores –,

com seus incautos
verbos às mãos e suas estranhas
vesanias às mentes.

E,
se vencer não nos é possível
por natural condição
imperfeita;

para resistir,
com alguma dignidade,
é preciso saber que tudo que se
nos entra

– ou sai –

pertence-nos,
individualmente, e a mais
ninguém!

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