terça-feira, 4 de abril de 2017

AGORA JÁ NÃO PODES MAIS



Certamente
que podias ter de tudo
quanto querias  nesta vã
e vil existência

- inclusive
jogares tuas culpas e pesos
às incautas costas
dos outros –;

afinal de contas,
era tua a particular senciência
para que criasses e para lidaresses,
a teus modos

e por tuas escolhas,
com tudo que – aprazendo-te ou não –
ao ego te sirvia:

ora amando
anjos, pássaros e sapiens
puristas em paraísos
figurados,

ora debatendo-se
com demônios, vermes
e ratos aos chãos
enlameados,

ora abrindo-te
as asas e as pernas para que
qualquer um deles te comesse
a vulva extasiada;

mas agora,
como sempre pedi cuidado
com o tarde demais, já não podes
mais!

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