Certamente
que podias ter de tudo
quanto querias nesta vã
e vil existência
- inclusive
jogares tuas culpas e
pesos
às incautas costas
dos outros –;
afinal de contas,
era tua a particular
senciência
para que criasses e
para lidaresses,
a teus modos
e por tuas escolhas,
com tudo que –
aprazendo-te ou não –
ao ego te sirvia:
ora amando
anjos, pássaros e
sapiens
puristas em paraísos
figurados,
ora debatendo-se
com demônios, vermes
e ratos aos chãos
enlameados,
ora abrindo-te
as asas e as pernas
para que
qualquer um deles te
comesse
a vulva extasiada;
mas agora,
como sempre pedi
cuidado
com o tarde demais, já
não podes
mais!

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