“O mundo, com
suas avenidas e vielas, se compõe de atuações em grandes palcos, mas o
espetáculo é desastroso a todos os participantes.”
Não chorem pelo que não somos na terra desconhecida, Nem pelo
que almejamos ser em alma posta na carne, em egos translúcidos que se deleitam
com imagens magníficas, contidas nas seduções e nos delírios do grande cenário
abismal.
Foi assim me perdi ao ousar caminhar sem pisar o chão
ressequido, pavimentado com espinhos invisíveis, caídos de frágeis sonhos
suspensos no ar, incapazes de alimentar seres estranhos com espíritos
mumificados que nele habitam, Sob a falsa luz que esconde infalivelmente a
noite interior, a consumir canibalisticamente das próprias entranhas, quando se
movem durante o dia, entre os aromas das flores e os suaves toques do vento,
sem que se percebam que as flores são gélidas e que o vento é traiçoeiro.
Não me lembro quando percebi que o mundo se esconde atrás dos
rostos de tantos protagonistas, Atuando incessantemente na imensidade à qual se
centram e fazendo-me quedar diante da vulnerabilidade do olhar, posto nos
corpos nus e nas mentes contrastantes das multidões que se desvencilham dos
espinhos mortificados pela planície, em busca do ponto de equilíbrio
inexistente no mar de sentimentos invasores.
Ânsias e vômitos desvendados, máscaras e faces expostas sem
que se possam distinguir entre uma e outra, deuses criados para salvação do que
já predestinadamente está salvo, e demônios criados para a condenação do que já
predestinadamente está condenado.
Não sei onde me encontro com o andar suspenso, talvez entre a
loucura e a razão. Se tento fugir de retalhos de tempos e vidas irrecuperáveis
ou se fico em dor e lamento. Se tento me soerguer para a queda certa, ou se me
abandono prostrado à angústia. Se busco a liberdade nascituramente condenada,
ou se me deixo escravo da tragédia.
Sei apenas que ousei romper num momento perdido, incapaz e
sem sentidos, extremos de meu ser contido, nos mesmos caminhos irreconhecíveis
agora atacados por minha loucura assentada, onde também sou prisioneiro nos
limites em que se encontra o olhar de minha face.

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