terça-feira, 11 de abril de 2017

SEM PARA-BRISAS



Cães sapiens
com suas visões de pícaro,
ladram famintos às densas sombras
da silente e fria
madrugada;

acima,
longiquamente, querubins em glória,
com seus faróis ligados,
espreitam a desdenhar
toda a cena;

à janela,
vacilo em febre,
a ruminar, solitariamente,
sobre qual caminho
seguir:

e decido me esgotar,
umidamente – entre meus semelhantes
neandertais caninos –,

pelas calçadas e ruas
abaixo, com seus dobrões taciturnos
e com suas tremeluzidas
fluorescências!

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