quinta-feira, 13 de abril de 2017

PIANÍSSIMA



Logo a mim,
que há tanto tempo,
padecia de enferma
dor d’amor

em meio ao silente
e angustiante
deserto:

ao virar do rosto:
ela ali, toda bela, vestida
de outonal flor

e brilhando,
esplende e radiante,
diante do niilista
poeta:

sorria
e se transcendia
com a suavidade das brisas
e com a contagiante alegria
dos pássaros;

e ela nem sabe,
mas foi como ouvir,
ao passar despercebido por alguma rua
qualquer, uma bela
sinfonia

– que acabara
de ser composta à luz
de um novo
dia –

a ecoar-se,
singelamente, preenchendo-me,
de novos sonhos,
a vazia alma.

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