segunda-feira, 3 de abril de 2017

MEIA-NOITE XXII



À meia-luz, lapido imaginadas e belas frases, bebendo vinho tinto e ouvindo algum clássico em tua companhia – e até arrisco contigo alguns passes de dança na lenta melodia que toca –,  boca.a se infiltrar em tua e com a língua a te correrem o corpo silenciá-las com as mãos para, depois, 

Deixo o tempo em suspensão e em extática tensãocom o desejo quase asfixiante de nossos corpos, arrebentando todas as correntes de caminhos inglórios que trilhamos, por ventura ainda existentes, em uma sublime e total entrega.

Ao leito, declino teu corpo ao qual cubro com meu ser e, como um dia que resiste à entrada da noite, busco o momento perfeito antes que ele se passe, para congelá-lo na eternidade - por que não te sabes sabes ainda de nosso iminente e triste fim –.

Com o olhar fixo em teu pálido semblante, e já com minha haste rija em sua vulva aveludada, percorro-lhe cada vértebra, até que minhas mãos toquem tuas nádegas; enquanto, longinquamente, choram os pássaros e as flores com o cheiro odorífero de nosso último ato d’amor.

Ao fim, após os orgasmos de nossos corpos, por um momento, contemplas, enfim, minha alma também em gozo e em cruciante dor, antes que a fatídica noite nos devore e nos silencie em sempiterna morte.



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