quinta-feira, 6 de abril de 2017

MEIA-NOITE XLIII



O amor é bonito
na ponta da língua
a acariciar o ego
do amante,

o amor é extático
na ponta da língua
a lamber o pau e a boceta
do amante,

o amor é sublime
na ponta da esferográfica
que traça o que não
há do amante;

a um sinal de sombra,
o amor se suicida
e se some
como um peido,

mas não sem que antes
as mesmas línguas
disparem lâminas verbais
contra os peitos

e impregnem,
com estranho fedor
e com amortalhado vazio,

as almas dos outrora

amantes.

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