quinta-feira, 6 de abril de 2017

MEIA-NOITE LII






Arroz, feijão, salada
e uma andorinha
no prato,

eu comendo aquilo,
e tentando evitar devorar
a coitada;

mas, como estava faminto
mesmo após comer
o que lhe deixara
de resto,

arranquei-lhe as asas,
bebi-lhe o sangue
e comi-lhe as carnes,

ainda não satisfeito,
aos dentes quebrei-lhe
os ossos
e chupei-lhe cada gota
de tutano,

por último,
rachei-lhe a cabeça
e sorvi suas substâncias
brancas e cinzas;

só quando terminei
a glutonaria,
é que me dei conta

de que o que
tinha consumido
era um anjo.

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