segunda-feira, 20 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL XXXVI



No deserto 
há vestígios de  águas
do mar

e das severas chuvas
de fogo

daquele amor
inalcançável,

por consequência
das cortinas abertas
do grande teatro

onde atuaram
virgens e arcanjos

e açularam arlequins
e menestréis
com asas;

outra coisa há
na bruma espessa
deste desterro desértico:

uma labareda,
já há tempo em brasa,
querendo se acender
novamente,

em febre, em fome
e em insânia

de um verme.

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