segunda-feira, 20 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL XXXV



Penso:
vou me metamorfosear
em borboleta

e, de repente, como que
se adivinhassem,
colhem-me numa rede;

repenso:
vou me transmutar
a verme,

– que a esses
ninguém quer –

e, de repente,
seduz-me algum amante
de sombras;

decido não pensar
e, em solidão,
devoram-me meus
fantasmas

balbuciando:
não morra, poeta,
pensa e repensa

em teu angustiante
e silente leito.

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