Hoje acordei injuriado, mais que de costume e como
sempre sem saber por quê.
Levantei e fui comprar pão na padaria que fica num
supermercado no bairro vizinho, os homens falavam
idiotamente sobre futebol e das senhoras, que não eram as
deles; as mulheres cochichavam algo que nunca consigo
ouvir, quando estão apalpando os tomates e os pepinos das
prateleiras.
Ao retornar, tropecei numa pedra a que fui logo
mandando para a puta que pariu.
Cheguei em casa amaldiçoando o dia, a pedra, pão, a manteiga,
o café e a porra do meu dedo sem unha.
Pensei entrar no computador para tomar um remédio
de “Trois Gymnopédies”, de Erik Satie. Embora não pareça, eu gosto de
ouvir Satie, Debussy e Mozart sobretudo quando estou com a macaca.
Enquanto ouvia, fui a meu site ver como andavam as
coisas, antes de começar a compor mais abismos à tela, que todos
os meus versos são assim: zangados e alucinados como eu.
E num deles, o que falava das safadas donas beijas, vi
dois comentários
de sermonistas que parecem nunca ter visto rolas nem gavetas, que parecem que nunca foram abnormais sapiens sapos burros.
de sermonistas que parecem nunca ter visto rolas nem gavetas, que parecem que nunca foram abnormais sapiens sapos burros.
Agora, fala sério! Logo de manhã, quando já quase
perdi a cabeça do dedão numa pedra que estava no
caminho, ao olhar para as flores vestidas das calçadas?
De manhã se acorda com a boca fedendo, com o pau
duro de vontade de mijar e, às vezes, ainda tem de se
barbear porque a porra do chefe é chato pra caralho, e vem anjos
torrar meu saco com comentários de missas rezadas?
Fui longo mandando tomar no cu, é claro,embora nem os conheça. Mas
tem algo que me aborrece ainda mais que os sermonistas que têm
se habituado a me torrar a paciência: são os amigos que já deixei há
tanto tempo, com suas miseráveis máscaras.
Ah! E mais uma coisinha só: não me tragam mais elogios, nem
castidades, nem flores, nem bocetas a meu site. que há muito
tempo estou assim no deserto, andando somente em nuvens.

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