sábado, 13 de maio de 2017

O DESEJO COSTUMA SER JULGADO COMO UMA PRAGA APENAS NOS OUTROS



“Por que tanto
julgam, exteriormente,
o desejo humano, como se ele fosse
um pecado capital,

enquanto, de si,
absolvem-se de suas masturbações
e orgias, Thor Shaitan?”

Não há nenhum
problema com os desejos sapiens
que se nos surgem a todo
momento

– tão normais,
tão frequentes,
tão extáticos –;

e não poderia ser
de outra forma, posto que advêm
da animalesca e natural
condição nossa

– mesmo que
inconscientemente –
de se fabricar a perpetuação
da espécie.

O problema
é com a mente
a inventar princípios não seguidos,
a estipular regras
violadas

e a se desvairar,
em avessos, em silente
cerne;

o problema
é quando a obstinada razão
provoca mortandades
de corpos, de almas
e de puerícias

– sob chuvas, fomes
e guerras –,

enquanto,
nas próprias casas,
embalam os seus entes amados
com cândidos enredos
e verbos;

o problema,
em suma: é quando as egocêntricas
abnormidades são liberadas às elucubrações
e às condenações dos demais
semelhantes,

enquanto se absolvem,
a si mesmos, escondida e silentemente,
dos supostos crimes
e pecados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário