“Por
que tanto
julgam, exteriormente,
o desejo humano, como se ele fosse
um pecado capital,
enquanto, de si,
absolvem-se de suas masturbações
e orgias, Thor Shaitan?”
Não há nenhum
problema com os desejos sapiens
que se nos surgem a todo
momento
– tão normais,
tão frequentes,
tão extáticos –;
e não poderia ser
de outra forma, posto que advêm
da animalesca e natural
condição nossa
– mesmo que
inconscientemente –
de se fabricar a perpetuação
da espécie.
O problema
é com a mente
a inventar princípios não seguidos,
a estipular regras
violadas
e a se desvairar,
em avessos, em silente
cerne;
o problema
é quando a obstinada razão
provoca mortandades
de corpos, de almas
e de puerícias
– sob chuvas, fomes
e guerras –,
enquanto,
nas próprias casas,
embalam os seus entes amados
com cândidos enredos
e verbos;
o problema,
em suma: é quando as egocêntricas
abnormidades são liberadas às elucubrações
e às condenações dos demais
semelhantes,
enquanto se absolvem,
a si mesmos, escondida e silentemente,
dos supostos crimes
e pecados.
julgam, exteriormente,
o desejo humano, como se ele fosse
um pecado capital,
enquanto, de si,
absolvem-se de suas masturbações
e orgias, Thor Shaitan?”
Não há nenhum
problema com os desejos sapiens
que se nos surgem a todo
momento
– tão normais,
tão frequentes,
tão extáticos –;
e não poderia ser
de outra forma, posto que advêm
da animalesca e natural
condição nossa
– mesmo que
inconscientemente –
de se fabricar a perpetuação
da espécie.
O problema
é com a mente
a inventar princípios não seguidos,
a estipular regras
violadas
e a se desvairar,
em avessos, em silente
cerne;
o problema
é quando a obstinada razão
provoca mortandades
de corpos, de almas
e de puerícias
– sob chuvas, fomes
e guerras –,
enquanto,
nas próprias casas,
embalam os seus entes amados
com cândidos enredos
e verbos;
o problema,
em suma: é quando as egocêntricas
abnormidades são liberadas às elucubrações
e às condenações dos demais
semelhantes,
enquanto se absolvem,
a si mesmos, escondida e silentemente,
dos supostos crimes
e pecados.

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