quinta-feira, 6 de abril de 2017

MEIA-NOITE XXXVII



Às vezes,
desenhar com
palavras

é tão simples
assim:

sirvo-me
de um café em xícara
floral,

sento-me
à cadeira amarelada
de vime

defronte
a mesa que fica
na sala;

olho pela
janela as nuvens
e os pássaros,

olho a
parede com sua cor
esquálida;

pego
da folha
branca,

pego
do giz
de cera

pego
da esferográfica
surrada,

e, dividido
entre o amor à liberdade
de fora

e à angústia
e solidão de dentro;

e,assim abro-me
os umbrais da mente
vesana.

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