Ando lançando palavras
com minha esferográfica
surrada
como uma metralhadora
incontida,
e eu nem sei se
a isso se deva dar o
nome de arte,
de poesia ou de
qualquer
outra coisa.
Para ser franco, eu nem
sei
se o que estou a fazer,
como semeador
do verbo volátil, possa
realmente
ser considerado algo
sublime,
ou se não passa apenas
de uma vã tentativa de
fuga de meus fracassos,
só para evitar cair-me
de outro modo
– mais libidinosamente
ominoso –
em meio às imagens e
vesanias
que eu possa
fabricar em meio a outros pseudo-heróis
e dons juans que andam
em esplendes
atuações por aí,
onde, certamente,
imporia meu ego
em concupiscências e
fantasias incontidas,
naufragando-me em
inconscientes sombras
daquilo para que, desde
o pueril templo,
fora projetado para ser.

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