O ser abandona a
realidade
toda vez que nela
fracassa em seus intentos
- muitas vezes cozidos
por outros
à tenra idade –,
nesta fuga, sobram-lhes
fantasias tão abstratas
como fortemente
arraigadas aos desejos
reprimidos
em suas infâncias:
e ele tem então, desse
inferno,
apenas algumas poucas
saídas,
como, por exemplo,
colocar a força
para fantasiar na arte,
na fé
ou cair nas fantásticas
orgias
– sempre sendo o que
não conseguiram
ser na realidade
concreta: heróis,
deuses ou mitos
superegocêntricos –
projetadas em suas
mentes doentes,
com seres anônimos e
com outros,
como eles, outrora
refreados,
fracassados ou
lapidados para serem
o que jamais haveriam
de ser.

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