Ás vezes, eu sentia,
- embora ela reafirmasse
todos os dias
que me amava –,
que aquele corpo
não era meu,
outro a possuía;
não que ela fosse canalha,
embora, em momentos ébrios,
eu dissesse que era,
ela até tinha ódio
e chovia em si mesma,
ao se lembrar dos fantasmas
passados a quem ofertara
sonhos e boceta;
mas a esse,
a esse ela amava
sublimemente;
e eu via a ampulheta
a escorrer
nosso tempo,
e eu via a noite
esvair-se lentamente,
rumo ao fatídico inverno;
de manhã, enfim,
consegui eu também
controlar meus medos
e meus abantesmas,
e, silentemente,
fomo-nos nós a seguirmos
por caminhos diferentes,
mas igualmente vazios;
e, desde então,
nunca mais a vi.

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