terça-feira, 4 de julho de 2017

HÁ UM VAZIO NO FIM DO TÚNEL



Há em meu dorso um sonho mortificado
por teus lascivos andares no desalinho,
a saciar vontades de lendas avultas
e a cavalgar fulgentes corcéis alados.

Vi em tuas súbitas palavras de revelação
reflexos de auroras que me mostraste,
recolhi folhas de teus álamos egocêntricos,
contemplei tuas ilusões imantadas
em quedas inscientes.

Forjei grandezas
para teus momentos mornos,
encobri com cinzas os verbos de tuas hemorragias,
escorreguei-me em tuas atuações virginais
em lampejos de desvarios ebúrneos.

Gravitei em tuas sápidas promessas,
decifrei tuas aliterações incautas,
aromei tuas fragrâncias melodiadas.
aspirei tuas alfazemas espinhosas.

Sublimado em palidezes osgarmáticas,
temi impaciências de nossas incertezas
e desinventei a vida para poder te amar
Aparei teus alísios ásperos,

flutuei em tuas quimeras inexeqüíveis,
trancendiei tuas rapsódias inacabadas.
Iludi-me com tuas vestes alvas,
descaminhei-me em teus édens apócrifos,
carpi tuas retinas paradoxais
e angustiei-me em tuas candidezes soçobradas.

Nas sinuetas de tuas vazantes efemerizadas,
asfixiei-me em teus céus pardos
e não suportei o sentimento perjurado.

Vesti princípios ilúcidos do encanto
e, após velar a última gota do oceano,
enturvei-me exausto ao chão anoitecido.

Tardiei o epílogo do momento angustiado,
deitei-me em agonia de tuas ausências
e dormi na morte que me trouxeste.

Porque nenhum
horizonte recobriu a passagem,
porque o mar não se acabou na planície,
nem a planície deixou
de amar o mar.