Um suave vinho
à taça,
uma triste canção
ao rádio;
as paredes pálidas
reclamam
suas infidas imagens
roubadas;
as flores ao vazo
sorriem
em contrassenso
do momento;
meu corpo falesiado
ébria-se
com o doce etílico
vermelho;
minha alma cansada
esvazia-se
em dores, angústias
e devaneios;
uma sensual coruja pia
noite-fora,
querendo ser
fecundada
por dádivas, êxtases
e porras
de um eivado verme
boceteiro;
a folha branca sobre
a mesa
chora, querendo ser
fecundada
por lágrimas, sangue
e versos
de um moribundo poeta
alvissareiro.

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