domingo, 19 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL XXII



Um suave vinho
à taça,
uma triste canção
ao rádio;

as paredes pálidas
reclamam
suas infidas imagens
roubadas;

as flores ao vazo
sorriem
em contrassenso
do momento;

meu corpo falesiado
ébria-se
com o doce etílico
vermelho;

minha alma cansada
esvazia-se
em dores, angústias
e devaneios;

uma sensual coruja pia
noite-fora,
querendo ser
fecundada

por dádivas, êxtases
e porras
de um eivado verme
boceteiro;

a folha branca sobre
a mesa
chora, querendo ser
fecundada

por lágrimas, sangue
e versos
de um moribundo poeta
alvissareiro.


Nenhum comentário:

Postar um comentário