domingo, 19 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL XVI



Para saborear a angústia
que ora me move,

silencio-me
o imperativo, o subjetivismo
e o onirismo,

e desterro-me ao árido
deserto,

como que tivesse
sido cortado
na alma;

flores,
só as mais resistentes

– e sem mostrarem

suas alvas
palavreadas,

seus peitos
desabotoados

e suas bocetas
aguadas –

e acorrentadas, como eu,
às vagas sombras
e aos versos brancos,

podem se aproximar;

e mesmo assim,
moribundo
na solidão em que
me abriguei,

menestréis carpinteiros,
alvíssaras trepadeiras,
e vermes sorrateiros

costumam cuspir,
de longe,
seus regozijos
de merda,

talvez,
apenas talvez,
para que eu acorde
as chuvas de fogo
de um verme
morto.

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