quarta-feira, 22 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL LXV



Foi a andar
pelo silente deserto,
que pude ouvir aquela
harpa de sombras.

Antes, não.

Antes,
era o sino que ressoava à missa,
onde a alva dissimulada
pregava candidezes
de seu altar.

Foi nas frias e solitárias noites,
que pude me esgrimir
daquelas seivas
airosas.

Antes, não.

Antes,
eram os doces néctares do outono artificial
aplicados-me à boca e às veias,
em disfarçadas cópulas
de asas.

Foi nas ébrias
angústias e dores
que pude entender aqueles
ominosos voos pelos
cantos e encantos
do mundo.

Antes, não.

Antes,
era o incenso dos sonhos esculpidos
nos delicados tecidos do mar,
com a faustidade
do verbo
amar.

Foi ao fim
das miragens abissais
que pude me amortalhar
nos conglomerados
de traumas.

Antes não.

Antes, palavras lumes,
dádivas e vis vagueavam pelas sombras
minhas, acendendo-me
o fogo das vesanias
malditas!

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