quarta-feira, 22 de março de 2017

O CÉU NÃO É AZUL LXI



Diz a lenda que dois dos mais abissais bnormais, com suas máscaras densas e vis, encontraram-se em terras frias que era iluminadas apelas pela lua, povoando-as com a ilusão de um amor imaculado e com vesanias oníricas, enquanto juntavam coleções de destroços que fabricavam às estreitas e escuras curvas das noites ébrias.

Dele, rugia agourenta fera,  em chuvas de chumbo e de fog, que se lhe iam caindo sobre ela uma atrás da outra, transformando-a, aos poucos, em cinzas e barros.

Dela,aflorara alva demência na faustidade dos verbos incansáveis, levando-o a um deserto do qual ele jamais escaparia, por ser ali eternamente aprisionado..

Assim foi que ambos almejaram tocar as sublimes hastes celestiais, tentando colocar
todos os amores e fantasmas passados enterrados no cemitério que fizeram para alívio das prórias pragas que se deram; até que o cemitério ficou lotado e não lhe coube mais nada, quedando-se, os dois,  no caos de seus próprios reflexos, espalhados pelos chãos da trevosa realidade.

Ao fim, ainda delirando da inocência perdida no desalinho, disse ela:

“- Sinto-me ainda tão pura!”

E ele, pleno das trevas de ambos, e cansado das palavras límpidas que vivia a regozijar a abissal santa, respondeu:

“- Como eu, apenas refletes fausta luz de teus vazios abismos sem fim.

E um dia,meus ouvidos se tornarão moucos; e, então, irei sepultar tuas fluorescências e tuas     verborragias ébrias e tua altivez espúria no mais fundo e tênebro poço,
em sempiterna ausência e silêncio
.”

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