Há uma mulher
na janela,
lendo “a menina
que roubava
livros”
e, entrelinhas,
olhando-me as
metamorfoses
entre mito, homem
e cão
pelos caminhos
da realidade embaçada;
com qual sonha
ou a qual desdenha,
ou ainda,
a qual odeia
não sei,
que, em silente olhar,
ela fez sepulcral
segredo
– a não ser por
“whiter shade of pale”
que sempre
coloca em seu
cd player,
quando eu passo
por ali –
o que é uma pena
porque, talvez,
eu pudesse aprender
com ela
como manter
os ouvidos moucos,
a boca fechada
e os olhos
parcialmente
cegos
e deixar todo o resto
tão somente
à admiração,
ou à condenação,
dos demais pássaros
sapiens,
abnormalmente
paradoxais.

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