Caro Friedrich Nietzsche, se para haver o prazer das gêneses e se para que vontades de viver se sustentem em si, é preciso o tormento da parturiente, sinto informar-lhe que enforquei Zaratustra, tua grande construção,em plena praça pública de meu desconhecido reinopor uma simples questão: desconheço as verdades dos abnormais e bem sei da exiguidade dos verbos regozijados pelos construtores de imperativos.
Porque também estou condenado a colecionar abismos e insânias,dos quais posso emergir criações artificiais sem nenhuma desordem certa, a inaugurar imensidades do nada, a disfarçar crenças com sorrisos, a esgrimir florescências em sombras, a enredar amores com espinhos ou flores, a fabricar tempestades de agonia, a colorar as retinas cegas a inventar deuses e demônios mitológicos, a voar como borboletas ou águias azuis, e também a andar como formigas ou vermes canibalísticos; tudo para avultar, entre a urgência das coisas que me rodeiam, meu ego senciente que, como fora o teu, é também minha maior e mais cruel prisão.
Mas, meu caro Nietzsche, perdeste o alimento do corpo e da mente insana no naufrágio no desalinho, onde outrora foste destroços e criador, – bem mais que eu – por outra simples questão: habitas onde até Zaratustra e teus piores demônios temeriam: o apagamento.
Mesmo lugar para ondetambém irei – e todos – e, como teu Zaratustra
por mim enforcado, toda minha obra cipreste estará sem razão de ser por simples inexistência de nossos egos sencientes para assistir ao espetáculo que protagonizamos no caos.
Porque também estou condenado a colecionar abismos e insânias,dos quais posso emergir criações artificiais sem nenhuma desordem certa, a inaugurar imensidades do nada, a disfarçar crenças com sorrisos, a esgrimir florescências em sombras, a enredar amores com espinhos ou flores, a fabricar tempestades de agonia, a colorar as retinas cegas a inventar deuses e demônios mitológicos, a voar como borboletas ou águias azuis, e também a andar como formigas ou vermes canibalísticos; tudo para avultar, entre a urgência das coisas que me rodeiam, meu ego senciente que, como fora o teu, é também minha maior e mais cruel prisão.
Mas, meu caro Nietzsche, perdeste o alimento do corpo e da mente insana no naufrágio no desalinho, onde outrora foste destroços e criador, – bem mais que eu – por outra simples questão: habitas onde até Zaratustra e teus piores demônios temeriam: o apagamento.
Mesmo lugar para ondetambém irei – e todos – e, como teu Zaratustra
por mim enforcado, toda minha obra cipreste estará sem razão de ser por simples inexistência de nossos egos sencientes para assistir ao espetáculo que protagonizamos no caos.

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