Um dia morrerei
na mesma Bom Despacho,
na verdade, desde criança sempre
imaginei e quis isso,
mas com suas ruas encascalhadas,
as planície e os montes tão próximos
que quase se os podia tocar,
os lotes vagos que serviam de atalho
às proezas pueris e aos sonhos
fecundos.
Em que pese esses versos,
aos quais proso lembranças que desinteressam a todos,
quero deixar bem claro que um dia
ainda morrerei neste berço,
mas longe da transformação
prostituta dos carros, das sirenes
e da bicharada de todos os caminhos
que vieram pousar e mudar tudo
por aqui;
morrerei com a intacta preservação
– à memória resistente – de tudo que um dia fora,
enterrado com corpo de homem,
mas com alma de menino.

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