quarta-feira, 5 de julho de 2017

QUEDADO AO FRONTE



Não quero mais
o disfarçado caminho das sombras
nem o grito mouco da angústia
e da dor:

à hora certa,
caso não haja evolução ao sonho nuvem,
por não mais aguentar o peso da palavra e do punhal,
congelar-me-ei os sentidos neste vicioso
e inflamado ciclo,

e irei para o sul,
para o norte ou para qualquer lugar
entre chãos comuns e sonhos
brancos;

e me fincarei como
árvore seca ou estátua solitária,
mesmo que me venham pássaros perdidos
a quererem  pousar-me na palavra congelada,
no coração parado  e na alma

cansada.