domingo, 18 de janeiro de 2015

ESCORREGADIAMENTE PURA


Ela o viu ali,
sentado sozinho à mesa
daquele boteco
vazio,

a tricotar
versos pálidos e imperfeitos
entre um e outro gole
de vinho tinto:

“Se já disse
mil vezes que te amo, 
e que sempre fui sua
(somente sua)

porque
me choveu tanto,
como que a não crer
minhas palavras,

como que
a querer tolher a minha
sagrada liberdade,
meu amor!?”

Ele a mirou
nos sorumbáticos olhos,
refletiu por alguns segundos
e mostrou-lhe o avesso
do reflexo:

“Bem, penso que
amar (como ser livre) não é
para qualquer um,
não;

amar e ser livre 
é só para os que têm coragem e força
de se estabelecerem entre
desérticos limites!”

Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent)

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