quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

ANJO NEFASTO


Abracei o mar
e quis, ao que lhe havia além,
desdenhar;

amei a lua e as estrelas
e quis, aos espaços entre elas,
desafiar;

por fim, deitei-me
junto a um monte de flores e pedras e quis,
à sublime imensidade que as criara,
desacreditar;

um pouco antes
de o bruto e fatal sono
da derradeira noite
me tragar,

em vez de desdenhar,
vesti-me branco e quis os braços
de um piedoso deus para
me descansar.

Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent)

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