quinta-feira, 26 de julho de 2018

UM ANJO ENTRE OS CORVOS!

Ela anda entre corvos
com a insana mente à toda

e com um sorriso tão
pueril à boca,

que ofusca
o próprio sol, enquanto sua alma

se macha de estanhas
sombras!

A POESIA EXIGE INSPIRAÇÃO!

O desejo
e a concupiscência
são poesias?

Se são,
deve ser por isso que tantos
passam suas vidas
fodendo

– de galho em galho –;

e, entre um e outro
momento de descanso, vão respingar
os resíduos de suas porras
sacras,

em versos tão comuns
como pífios!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

VIL EXISTÊNCIA!

Certamente
que podes ter de tudo
quanto queirais nesta vã
e vil existência

- inclusive
jogares tuas culpas e pesos
às incautas costas
dos outros –;

afinal de contas,
é tua a particular senciência
para criares e para lidares,
a teus modos

e por tuas escolhas,
com tudo que – aprazendo-te ou não –
ao ego te sirva:

ora amando
anjos, pássaros e sapiens
puristas em paraísos
figurados,

ora debatendo-se
com demônios, vermes
e ratos aos chãos
enlameados,

ora abrindo-te
as asas e as pernas para que
qualquer um deles te coma
a vulva extasiada!

NUVEM BRANCA!

Porque
não nos é possível
estarmos sempre na mesma
nuvem branca,

porque
não nos é possível
bebermos sempre no mesmo
cântaro de vinho,

porque
não nos é possível
andarmos sempre na mesma
estrada pavimentada,

porque
não nos é possível
sequer nos tropeçarmos nas mesmas
pedras afiadas,

é que precisaríamos
nos amar sem elucubrações nem porquês,
para que não nos percamos
as asas.

CERCADO PELO DESERTO!

O deserto
me cerca de todos os lados,
corroendo-me com
ferrugens

de vazios
e nadas; quase que
se me apagando, inclusive,
o pouco que sobrou

dos pueris
dezembros e natais,
em minha perdida infância
passados.

ILUSÕES

Por que
ainda haveria de lhe dizer

ou de nos conjecturar
juntos em algo,

se tudo está
construído, inexoravelmente,

sobre uma tênue ponte
de alicerces falsos?

TARDE MONÓTONA

Cheguei a casa
aporrinhado naquela tarde,
empalideci de imediato seu sorriso,
fechando-lhe as portas
e as janelas;

dirigi-me a
meu pequeno quarto,
onde havia livros, um som, uma cama
e quase mais nada;

mas havia,
dentro dos livros, estórias de mundos,
e havia a música que se derramava
em tudo, sem ocupar
espaço;

e eu ali
tentando me salvar
de todas as coisas e de tudo
que semeavam fora os grandes
sapiens sencientes;

e o pior,
tentando me evitar
também o iminente naufrágio
de todas as coisas e de tudo
que se me confundia
dentro.

DOR E ANGÚSTIA!

Por que motivo
me livraria da dor e da angústia
de meu árido e silente
deserto,

se elas ao menos
me inspiram essas tristes,
amargas e tortas
poesias;

enquanto os pássaros,
as borboletas e as mariposas
só me levam aos lugares
comuns

de suas fluorescências
cegas?

quinta-feira, 12 de julho de 2018

ESTÁ FRIO!

Eu me lembro de ti
nesta tarde amarga e fria,

eu me lembro de ti,
dos tempos em que eu não temia
por grandes perdas,

eu me lembro de ti,
do teu cabelo liso e negro,
do teu olhar de brilho seco,

eu me lembro do teu rosto pálido,
dos teus seios acesos,
da tua vulva mágica,

eu me lembro de nossos sonhos,
eu me lembro de nossos pesadelos
e eu me lembro que combinamos de nos amar
eternos:

eu acho
que eu estou certo quando
digo que “Não vou aguentar viver

muito mais tempo sem ti!”

OS INDOLENTES!

… sonhar nuvens impossíveis,
desejar corpos longínquos e intocáveis,
querer eternizar amores proibidos,

tudo pode,
tudo vale,
enquanto não se está morto

para viver
com mais audácia e intensidade,
sem se sufocar demasiado

no fundo do rio!

ESSÊNCIA FINAL!

… essa tua lentidão
habitual tornou-se insuportável,

porque
agora meu tempo se tornou
muito breve,

e o que eu quero
comer do teu fruto e beber da fonte
sagrada de entre
tuas pernas,

enquanto,
ainda saudável neste mundo
de delírios e de imagens, tu manténs
tua aura fugitivamente sensual

e morna!

EU TE FALO COM VERSOS!

… na presença sagrada
em minha mente, quando me vens
à lembrança,

agora que
não podes mais por ti mesma
seguir,

eu ainda te darei,
pelo pouco de eternidade que me restou
por quanto viver,

o meu amor,
os meu versos rebelados,
os meus sonhos mais purificados
e os meus desejos mais
bem guardados,

até que meus ruídos
também deste mundo se calem!

JÁ NÃO ME ACHO EM NENHUM LUGAR!

Vê, Flor de inverno,
já não cabe neste escuro espaço
e em meus versos mal
traçados,

a saudade,
a angústia
e os moucos gritos de dor,

que em mim
se implantaram depois que
tu te foste, sucumbida à desgraçada

e impiedosa morte!

EU TE DEI TODO O MEU POSSÍVEL!

Eu ainda ouço
teu pedido de ajuda
pela dor de teres de viver num mundo
formado por espetaculares
imagens,

eu ainda sinto
a tua angústia em tentar viver
um amor sem-imagens,

eu sinto muito
que não tenhas entendido
nem meu amor, nem minha loucura,
nem minha incensatez:

eu realmente
sinto muito que, antes de morreres,
te rendeste às vozes das cidades

e dos mitos do mundo!

NÃO FUI EU QUE ME FIZ HUMANO!

Não fui eu
que me fiz humano,

fui jogado
no mundo assim;

então,
como meus irmãos que se dizem
mais puritanos,

quando
me lanço com minhas
asas inválidade,

só vario o lugar
e o modo, mantendo todas
as possibilidades

no sonho,
na fantasia,
no amor,

na dor,
no desejo
e no consequente naufrágio!

AMOR PERFEITO!

Sem distinção
de preferências, de opiniões,
de desejos, de sonhos, de fantasias
ou de loucuras,

o amor só é
deveras sincero e sagrado
se os dois amantes compuserem

com um só pulsar!

DE QUE ÉS FEITA?

De que és feita,
que me faz ficar trincado assim
em tão poucos segundos?

De sol?
De luz?
De chama?

De sombra?
De poesia?
De ternura?

De sensuais impulsos?
De deliciosidade seminua, com sua calcinha
mostrada como branca margarida?
De amor, com tudo no segundo

em que nos amamos?

A BIPOLAR!

De saudade,
de angústia, de dor e de sofrimento,
chamo-te Lilith,

a quem outrora
conheci em seu inferno humano
e sarnento;

por amor,
depois de morta, chamo-me
de A Flor do Inverno, com verdadeiro
sentimento, em poesia
e emoção!

EU JÁ PERDI GRANDES AMORES!

Sobram apenas dor,
estilhaços e lágrimas salgadas

de um amor
dito infinito que se perde

por qualquer laço nu,
por qualquer corpo cheio de curvas
e delícias ou por outra coisa
que nos cause êxtase
e vício!

SER!

… até que enfim
encontrei meu destino: ser.

Ser dos desertos
(mesmo de desertos casados)
oasis de amor e de desejo),

ser o alvoraçar
e o quebrar de asas inválidas,
atiçadas pela esplêndida imaginação
sapiens,

ser o suspiro do orgasmo
e o murmúrio das nuvens, das chuvas
e das angústias,

ser o alívio da dor
e a dor da flor que se desespera
ilegítima:

ser, condenadamente,
o tudo, o nada e o louco vasto
que ocorre nos ocos silências
e nas esquinas quebradas!

FUGA!

… quando a noite chega
e os girassóis se tornam negros,

vazadamente por vazios
e frias brumas,

só uma flor
com o coração sublime e a alma
limpa

pode lhe
oferecer algum caminho

de fuga!

VIVER :AOS OLHOS FUNDOS DE UM NIILISTA!

… viver
é ter o grandíssimo azar

de ter vencido uma acirrada
e fatal corrida, entre outros duzentos
e cinquenta milhões

e, como prêmio,
ingressar na virgem natureza
das coisas,

estuprando-as
como um sapiens abnormal!

NA AUSÊNCIA DE TEU CORPO!

Nas sombras da noite,
no ritmo dos neons e das mariposas,
silencio-me no poço,

dispo-me,
invoco-te à mente,
alvoroço-me por tua carne
e por teus ossos;

e em meio
a lembranças de fragmentos passados
e a tua eternal ausência,

violo-te e te amo
mais uma vez, com excitantes toques
na rija navala,

cada vez mais rápidos,
mesmo em tuas águas já mortas,
até se consumar um enlouquecedor
orgasmo!

sábado, 7 de julho de 2018

ELA E O MENSAGEIRO!


A CINZA AINDA ESTÁ QUENTE!

Conseguite,
seduziste-me ao me falares
de sonhos, de desejos e de amores
eternos,

ao me abraçares,
ao me beijares e ao andares comigo
por paraísos encantados e por vales
assombrados:

acendeste-me
em descontrolável fogo, fazendo
com que minha haste se esticasse
na calça como uma tenda;

e eu me rendi ali,
naquele exato momento, perante
tua beleza, perante a  perfeição
de teus gestos e de tuas
curvas,

ajoelhado
e com a boca, deliciando-me

em tua vulva molhada!

NÚPCIAS


ERIÇADO!

Confesso
que fiquei eriçado e todo arrepiado
quando te vi ali naquela
piscina,

com sinais
de alguns mínimos pelinhos
descapados da beira
do biquíni,

com os seios
formando uma covinha
sedutoramente
linda

e com a calcinha
penetrando sua deliciosa

bundinha!

FEITO UMA NAU DO NADA!

Como eram lindos
aqueles teus negros olhos
de vigília!

Como era sedutora
aquela tua jovem e irregular
geografia!

Como era incontida
aquela tua louca e faminta busca
por sabedoria!

Como te parecias
com um pálido anjo necessitado
quanto te despias!

Como destruías
todos os sonhos, todas as imagens
e todas as esperanças
que criávamos,

como era mortais
 as tempestades que, por causas dseins alheias,
em todas os fins de tarde,
com as quais

te vestias!

AINDA ME LEMBRO!

Ainda me lembro bem,
depois que ela partiu para longe
escreveu-me uma carta
de amor,

sua caligrafia estava
trêmula e me  cheirava, já naquela
minha tenra idade, amor
e poesia:

naquela carta
ela falava de uma dor de saudade
suada, devido ao grande amor
que tivemos em alguns dias
de verão.

Vez em quando,
hoje, ainda me pego em silêncio
com algumas lágrimas descendo
aos olhos

e imaginando
que, se fôssemos mais fores e mais adultos,
ainda poderíamos hoje, e eternamente,

estarmos juntos!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

PALAVRAS VOLÁTEIS


Não creias
as palavras voláteis
e os versos mal traçados
do poeta niilista,

nem trilhes
pelos caminhos que o cão traça
por entre os palcos
da vida;

porque dizem por aí
– e constato –
que eles são cheios de sonhos,
pedras e precipícios.