segunda-feira, 6 de agosto de 2018

VESTES DE SEDA!

Outrora – com tuas vestes
em seda, luz e âmbar –
elucubraste, aos rastros de meus passos,
as fluentes sombras
de um cão;

enquanto eu nos via
em sonhos, oblações, vesanias
e recorrentes quedas
não decifráveis.

Agora, mesmo que tentes,
não mais podes sequer contemplar
as ominosidades e as angústias
que de mim singram
ao mundo;

enquanto eu
ainda consigo te perceber,
perdida nos mesmos labirintos
– sem espelhos –
de teu avesso e acorrentado
cerne.