segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

INGLORIAMENTE AVESSO



Meus avôs trabalhavam
à terra,
aravam, plantavam
e cuidavam de animais
o ano inteiro;

minhas avós eram
prendadas,
sempre costuravam as roupas,
colchas, lençóis e redes
que usávamos,
durante o ano inteiro;

meu pai era
da polícia,
passou parte da vida
a tentar ajudar
na segurança pública
deste país;

minha mãe era
a guerreira de todas
maior,
vendeu cochas às costas
de casa em casa,
costurou para fora,
vendeu chupes-chupes
e picolés,
e se deu muito bem
como uma esplende
faz de tudo;

entre todos eles,
havia algo bastante
em comum:
tinham uma fervorosa fé
em um Deus,
para o qual oravam
todas as noites;

como veem,
venho de uma família
quase ideal,
com suas vidas, suas preocupações
e seus trabalhos normais

e, não sei por quê,
de uma origem assim,
ligada aos bons
costumes,

fui me envolver
logo em querer dissecar,
com o verbo,
a singular e fausta condição

do sapiens neandertal.

Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent)

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