segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

AMOR HUMANO


Dias desses,
vindo de viagem a uma cidade
próxima daqui,

ao passar pelo banheiro
da rodoviária, vi desenhado, na parece
amarelada,

um pau e uma boceta
fazendo sexo; ao que se ligava
uma setinha que dizia:

“eu te amo, Sara”.

Talvez o sujeito
Até estivesse batendo uma
enquanto defecava

– ou enquanto defecava
aquilo pelas paredes do fedorento
cagatório  –,

e é muito provável
que não lhe houvesse outro lugar
mais adequado

para aquela grande declaração
de amor.

Péricles Alves de Oliveira (Thor Menkent)

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