domingo, 9 de julho de 2017

SONHO EXTRAORDINÁRIO

... raridade,
principalmente em duas noites
seguidas assim:

ela veio
em meio a imensos pinheiros, arranha-céus
e um humano formigueiro,

como estava
linda, pura e brilhosa,
pegou em minha mão e me
conduziu

a uma viagem distante.

Em criança,
vmos meus antigos amigos pueris,
sorrindo, brincando, colecionando insetos,
figurinhas, e fazendo um monte
de estripulias,

vimos a menina
a que chamavam de feijão preto,
a quem eu defendia e por quem tantas
vezes briguei em minha infância
atrevida,

vimos o sangue
no rosto dos meninos que com ela
mexiam e ela limpou o sangue que
de minha boca se escorria;

vimos a primeira
menina que tanto amei um dia,
sem nunca tocar, sem nunca beijar,
todo tímido e estremecido,

ali na última
mesa daquela fria sala
de aula;

vimos meu
ainda vivo, antes de morrer
enganchao nas ferragens de uma carroça
quando à sua bicicleta velozmente
voava;

vimos meu
outro amiguinho tomado pela
terra de uma caçamba que virara,
enquanto eu corria e, deixando-o aos gritos,
corria;

vimos minha adolescência
já começada e findada adoecida
pelas sombras e pelos males
da vida;

vimos minha atual esposa
a quem amei tanto que quase não suportava
a dor do ciúme e da insegurança
demoníacos;

vimos mais,
e mais víamos quanto mais
avançávamos no tempo, sempre
com ela pegando em minhas mãos
vazias;

vimos nosso
início, nosso amor nascendo, nossas brigass
e nossa luta pela pureza de um sentimento ainda
impossível;

vimos seu corpo
(dela) em um caixão e vimos seus entes
amados chorando com suas almas tristes
e combalidas;

vimos-me agora,
como que ela me mostrasse que tudo
pode, sim, apesar de tudo, ter a pena
valido.

Quando acordei,
novamente em franco e angustiante choro,
lembrei-me do que ela me falara
um dia:

“Eu não passarei da pinguela,
e eu queria passar para estar contigo,
tu machucarás o pé esquerdo ao tentar,
mas com novo impulso passará;

e lá, de onde eu estiver,
eu vou te ver, e vou te olhar a voar
sem fisicamente mais poder estar
aqui.”

E eu chorei,
e eu chorei amargamente nesta manhã,
depois de toda viagem a que ela, pegando
em minha mão me conduzia,

e ela não estava
em corpo ali, mas eu a senti e garanto
que Ana estava, ao lado da cama,
ali!